Saudações Afonsinas!
Esta semana vou abordar uma temática com a qual me debato há alguns anos e que me faz esboçar um sorriso no rosto: o culto da terceira pessoa.
É frequente vermos, lermos ou ouvirmos declarações de algumas personalidades, nomeadamente no futebol, referirem-se a elas próprias na terceira pessoa, quase como se fossem uma entidade com a qual não se relacionam e da qual querem afastar-se o mais possível.
Quem foi pioneiro neste tipo de abordagem – e penso não estar a errar senão peço o favor que me corrijam – foi o afamado Mário Jardel ainda nos tempos do FCP. Não me esqueço as vezes que sorri ao ouvi-lo/ vê-lo a prestar declarações referindo-se na terceira pessoa colocando eu, desde essa altura, a dúvida psiquiátrica quanto à sanidade mental do atleta querendo eu saber se por um acaso aquela era uma forma do mesmo proteger-se da agressividade do mundo exterior, em particular dos jornalistas, criando um escudo protector ou se era apenas falta de formação em Português básico.
Este fenómeno da terceira pessoa foi-se expandindo até se banalizar e já ninguém incomodar-se com a forma como é usado a nossa querida língua-Mãe.
Com as declarações de Miguel Veloso desta semana, relembrei-me o quão ridículo é falarmos de nós como se estivéssemos ausentes.
Por muita razão que o jovem tivesse e por muito clara e lógica argumentação que o mesmo expusesse, deitou tudo a perder quando diz coisas como “…Andam a perseguir o Miguel Veloso…” ou “Há uma campanha contra o Miguel e eu fico triste é por ninguém vir a defender o Miguel…”.
Mas quem é o Miguel afinal? É ele próprio, é um alter-ego ou apenas um amigo imaginário do qual não se quer separar.
Li, num jornal desportivo, que o Prof. Jorge Silvério aconselhava um acompanhamento psicológico para os jogadores pois se este apoio existisse declarações como essas nunca surgiriam.
Em parte concordo, pois como acima mencionei, isto deve ser uma forma de se protegerem mas esta situação não explica tudo. Creio que mais que um acompanhamento de um psicólogo – e há que fazer a destrinça entre psicólogo e psiquiatra, pois muitas pessoas confundem o âmbito da intervenção de cada um – era necessário um acompanhamento bastante próximo de um professor de Português e de um relações publicas.
No nosso Vitória também temos alguns casos similares ao que anteriormente aludi mas, feliz ou infelizmente, o facto do nosso clube não ter tanta projecção não nos causa embaraços de maior de cada vez que um jogador nosso presta declarações á comunicação social.
Valha-nos o nosso presidente! O qual também se afirma esgotado destes anos que leva à frente do Vitória.
Não duvido que o esteja Srº Emílio pois quem deseja sempre executar as suas tarefas da melhor forma possível ao seu alcance, acaba sempre por despender muita energia. Peço-lhe que considere as melhores opções tendo, como é óbvio, sempre em consideração o seu bem-estar pessoal e profissional sabendo eu que muito bem quer o nosso clube.
Cordiais cumprimentos,
Mário Rui Rôxo
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