Para dar continuidade a esta rubrica, escolhemos o carismático Romeu que representou o Vitória entre as épocas 2001/02 e 2004/05.
Natural de Santa Maria da Feira, o avançado começou por jogar no Feirense local tendo acabado o processo de formação no Porto.
As suas primeiras três épocas como sénior foram ao serviço do Infesta, na então Segunda Divisão B.
Em 96/97 transferiu-se para o Felgueiras onde foi treinado por Augusto Inácio, que desempenharia um papel importantíssimo na sua carreira e que o treinaria no Vitória.
Aliás, estreou-se na 1ª Liga na época seguinte no Marítimo sendo treinado, também, por Inácio, que fez dele o seu avançado fetiche.
Com rapidez, presença na área, e uma capacidade de luta, o avançado parecia ter os predicados correctos para se transformar num goleador de excepção…algo que, todavia, não confirmou!
Romeu apesar de estar vinculado ao Porto, continuava a ser cedido a outros clubes, até que depois de passagens pelo Leça e novamente pelo Marítimo na época seguinte regressaria aos azuis e brancos onde esteve nas épocas 99/00 e 00/01.
Nesses dois anos Romeu pouco jogou, sendo que na época 1999/2000 acontece um episódio marcante e simultaneamente aterrador: em Guimarães, com o terrenos, completamente, encharcado por uma espécie de dilúvio universal, num carrinho acerta violentamente no joelho da, então, coqueluche vitoriana: Lixa… um menino na altura, com um futebol de rua inebriante e que trazia Quinito, na altura treinador do Vitória, pelo beicinho… aliás, na jornada anterior houvera humilhado, sozinho, o eterno rival bracarense, sendo promovido a herói do clube d’El Rei… resultado: Lixa afastado por longo período e nunca mais atingindo os patamares de outrora e Romeu pronunciado como réu…um assassino de primeira água…
Mas na época 2001/02 tudo foi diferente…
A primeira época de Romeu no Vitória demonstrou que tal funesto facto fora um acidente… Romeu era um atleta voluntarioso, que nunca virava a cara à luta e por vezes isso fazia com que algumas picardias sucedessem… a sua disponibilidade para o jogo fez logo dele, um dos preferidos dos tribunais vitorianos…
Nesta época Romeu marcou um golo que ficará na memória de todos os vitorianos, um golo de calcanhar diante do Boavista que correu mundo e que foi considerado o golo do ano.
Em 2002/03, sendo orientado, novamente, por Augusto Inácio apontou dez golos, sendo a sua temporada mais produtiva ao serviço dos branquinhos… aliás, foi a época do sedutor 3*5*2 de Inácio, em que o Vitória, por força das obras de remodelação do estádio, actuou em terreno neutro, em Felgueiras…
Romeu assumiu-se como a referência de uma equipa que a dados momentos encantou… mas com um meio campo municiador com um, então, jovem Nuno Assis, o estratega que este ano foi eleito o melhor atleta da Scottish Premier League, Pedro Mendes, e o falecido Hugo Cunha a solicitarem-no tudo era possível…e não olvidemos os alas, neste sistema, Abel, Fangueiro, ou Guga, ou do lado esquerdo o fantástico Djurdjevic…
O Vitória fez jogos fabulosos terminando a época em quarto lugar… quarto lugar esse que nessa época não deu qualificação europeia…
Nas 4 épocas em Guimarães Romeu mostrou ser um avançado possante, que segurava bem a bola mas que acima de tudo era muito profissional e que mostrava uma atitude enorme em todos os lances. Atributos que contagiaram a massa associativa que viria também a contagiar o avançado que a par de Djurdjevic se tornou sócio do Vitória.
Ao serviço do Vitória viveu um pouco de tudo, como a expulsão por indicação do 4º árbitro que visionou através de uma câmara de televisão uma agressão do vitoriano a Simão, o que ainda não é legal.
Também com ao serviço do Vitória o antigo nº 28 chegou á Selecção Nacional onde realizou 2 jogos tendo mesmo apontado um golo, na Suécia, vencendo a selecção das Quinas por dois a um… aliás, nesse jogo, dois atletas vitorianos brilharam… o próprio Romeu e Rogério Matias!
A época de 2004/05 onde o Vitória se apurou para as competições europeias foi a última de Romeu no Vitória, sendo treinado por Manuel Machado.
O último jogo no D. Afonso Henriques foi diante do Boavista onde, perante 26510 espectadores em loucura, marcou o 1º golo da vitória por 2-0.
A par de outros carismáticos jogadores Romeu saiu do Vitória numa política que não agradou aos adeptos e que resultaria na descida de divisão, aliás nesse final de época saíram a maior parte dos jogadores mais carismáticos das últimas épocas, fazendo com que se perdesse na época seguinte a mística que esses jogadores transportavam.
Actualmente Romeu é treinador – adjunto dos juniores do Belenenses clube que representou como jogador depois da saída de Guimarães.
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