Arquivo de Nuvens | "Manuel Aspinall"

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Uma no cravo, outra na ferradura…


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Lembro-me de, numa crónica que escrevi por volta do mês passado, ter demonstrado o meu agrado pelo “novo” Vitória, agora comandado por Paulo Sérgio. Na altura em que escrevi a crónica, após o jogo com os “verdes” de Alvalade, era já notória alguma evolução na equipa e nos mecanismos que a mesma utilizava para fazer circular a bola de forma eficaz entre os vários sectores da equipa. Passados dias da publicação da mesma crónica, eis que sofremos mais uma derrota, desta feita em Coimbra, frente a uma equipa da Académica que também procurava encontrar um novo rumo que lhes permitisse escapar ao sufoco inerente às ultimas posições da tabela classificativa. Confesso-vos que à medida que fui assistindo ao desenrolar da partida fui temendo pelo pior. Dei por mim a pensar que, invariavelmente, iria ter que engolir os elogios por mim proferidos, como quem engole sapos.

Felizmente, os aprontos que se seguiram encarregaram-se de não me retirar a razão e ainda bem! Após três jogos “a doer”, que correspondem a igual número de vitórias, as melhorias são evidentes e estão à vista de todos. Como que por magia, a equipa parece ter mudado da noite para o dia, mostrando uma atitude, garra, qualidade técnica e vontade de vencer que julgava irremediavelmente perdidas. Após os bons resultados contra o arqui-rival Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Benfica, podemos com orgulho dizer que o verdadeiro Vitória está de volta, que está aqui para as curvas, e que não só está bem como se recomenda!

No entanto, e esquecendo agora por momentos as matérias estritamente desportivas, nem tudo vai bem no Castelo Vitoriano. Aliás, se tudo estivesse bem, até o próprio Belzebu se ria!

Foi com alguma surpresa que soube que estamos prestes a ser processados junto da Fifa por um clube de nome “12 de Octubre”. Por momentos fiquei intrigado acerca dos motivos que motivariam tal acção por parte de um clube que não me recordo de ver relacionado com o meu Vitória. Desde quando é que nos relacionamos com clubes Paraguaios de origem duvidosa? Após ter colocado tal questão a mim mesmo, resolvi remexer no meu arquivo de memórias e lá me recordei que, realmente, existiria por cá um certo jogador que era oriundo de tais paragens. Falo-vos, obviamente, do também Paraguaio Mendieta, lateral esquerdo contratado pelo Vitória durante o defeso. Sim, o tal que dizem que é bom rapaz, que marca bem os livres, mas que infelizmente nunca ninguém viu a jogar!

Parece certo que, durante o verão, ambos os clubes teriam chegado a acordo relativamente à transferência do “levezinho” Mendieta para terras minhotas. Também é certo que o mesmo jogador foi apresentado por Emílio Macedo, nosso digníssimo Presidente, com toda a pompa e circunstância, como um dos reforços do plantel Vitoriano para a época que agora se disputa. Também parece certo o facto de o jogador não servir os interesses do Vitória, visto ainda não ter alinhado pela equipa principal do Vitória num jogo “a doer”, por um único minuto que seja. O que é uma certeza daquelas mesmo inabaláveis é o facto de o clube “fornecedor” ainda não ter recebido um cêntimo sequer do valor que foi acordado pelas partes, valor esse, julgo eu, devidamente cabimentado e orçamentado no rol de despesas que o clube teria que enfrentar na presente época.

Todas estas “moscambilhas” e “trocas e baldrocas” merecem uma explicação, pois não nos podemos dar ao luxo de ver o nome do nosso Clube ser arrastado na lama, acusado de não honrar os compromissos que celebra . O que também merecia um esclarecimento, e este sim, cabal, é a já célebre e famigerada política de contratações levada a cabo pelo clube e pelos seus directores desportivos, que ontem se demitiam e hoje já não. Que tipo de negócios andam esses senhores a fazer? Porque raio se endividam em mais de 200.000€ para recrutar um jogador que não joga e que ainda por cima se encontra visivelmente aquém dos padrões físicos exigíveis para a prática de um desporto de alta competição como o futebol? Quem fez este negócio? Quem definiu os critérios de avaliação e quem é que deu o aval para a contratação deste suposto atleta que é tão bom, mas tão bom mesmo que nem sequer é convocado para jogar? Que tipo de gente é esta que nos endivida para adquirir Mendietas, Santanas, Milhazes e afins? Que tipo de gente é esta que, depois de (não) gastar meio milhão de euros em laterais esquerdos que não jogam, ainda tem a distinta lata de anunciar que quer adquirir mais um defesa canhoto no mercado de Inverno? Que negócios são estes, que gente é esta e o que ganham eles com isto?

Esta é a prova de que o Vitória é mesmo um grande clube dirigido por gente pequena e provinciana, gente que abdica da seriedade e do profissionalismo negocial para se dedicar a tempo inteiro à “chico-espertice” que teima em reinar por este país fora. O Vitória é um grande clube que está a ser gerido como uma mera mercearia, onde há livro de calotes e onde a comprar e vender fiado são uma constante do dia a dia.

Pode haver quem encare estas coisas de ânimo leve e se esteja a borrifar se deve ou se não deve, se é chamado de caloteiro ou não, se a FIFA está ao corrente ou não. Eu não penso assim e tenho a firme certeza que a esmagadora maioria dos Vitorianos também não. Dívidas são dívidas e os compromissos são para ser cumpridos, custe o que custar, doa a quem doer.

Espero sinceramente que esta e outras situações sejam devidamente lembradas e equacionadas quando formos chamados a decidir o nosso destino, em Março do ano que vem. Para o bem do Vitória, única e exclusivamente, e de mais ninguém!

Saudações Vitorianas.

Manuel Aspinall

Guimarães, 26 de Novembro de 2009.

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Soube a pouco…


Agitados. É desta maneira que caracterizo os últimos tempos vividos no seio do nosso clube. Mais uma vez, e inevitavelmente, voltou a soar o “chicote” no D. Afonso Henriques. Nelo Vingada via-se afastado (e bem, diga-se de passagem) do comando técnico do Vitória, após uma série de resultados menos convincentes e de igual número de exibições que considero sofríveis, para não dizer miseráveis. Nelo Vingada caiu assim do “poleiro”, sem ter alcançado a glória que lhe era desejada pelos adeptos. Além de demonstrar uma gritante falta de ambição, também não soube levar a água ao seu moinho, no que à sua relação com os adeptos diz respeito. Muito por força das infelizes declarações que proferiu, o professor Vingada comprou uma guerra escusada com os adeptos, ávidos de resultados e boas exibições. Após tal ocorrência, uma exibição menos conseguida foi suficiente para o seu abandono deixar de ser um desejo para se tornar uma realidade…antes que fosse tarde demais.

Após uma longa semana de indefinição e de muitos nomes avançados pela imprensa (quase sempre dados como certos e apenas presos por detalhes), eis que Paulo Sérgio se apresenta no “Castelo”, ambicioso e ciente da grandeza dos novos desafios, para “pegar de estaca” num colectivo que se encontrava, manifestamente, órfão de uma liderança forte e motivadora.

A tarefa de Paulo Sérgio não se afigurava (e não se afigura ainda) nada fácil. O facto de o plantel não ter sido alinhavado pelo actual técnico, apesar de não se tratar de um factor determinante, pode vir a causar alguns acidentes de percurso. O plantel profissional terá sido construído segundo as orientações e escolhas de Manuel Cajuda, sendo agora Paulo Sérgio o responsável por tirar destes jogadores o melhor rendimento possível. O que é facto é que o novo treinador parece ser “forte” o suficiente para assumir o desafio que abraçou. Nestes dois primeiros jogos do “seu” Vitória, o treinador Lisboeta provou que realmente exerce uma verdadeira voz de comando. Prova disso é o empenho e ambição que vimos aparecer na equipa, quase da noite para o dia.

Não se pode dizer que os primeiros “testes” às capacidades do novo timoneiro tenham sido fáceis. Bem pelo contrário. O Feirense, apesar de ter perdido o jogo por um resultado aparentemente significativo, mostrou ser um osso duro de roer, praticando um futebol agradável e deixando transparecer o porquê de ser um dos principais candidatos à subida ao escalão maior do futebol Luso. Se, após a eliminatória da Taça, ainda se sentia algum cepticismo em relação às reais capacidades da equipa e treinador, pode-se dizer que o jogo contra os Leões de Alvalade foi a prova cabal de que este Vitória se encontra diferente, quase transfigurado, mas desta vez para melhor.

Num jogo que se antevia pleno de dificuldades, assistiu-se, sobretudo durante a primeira parte, a uma das melhores exibições do Vitória nos últimos tempos. A equipa entrou em campo determinada a lutar e a discutir o resultado com uma garra e sentido de abnegação inquestionáveis, em que escancarou as debilidades do adversário, dominando-o por completo. Para satisfação dos mais de 18.000 presentes, número bastante aceitável para uma terça-feira á noite, os homens do Berço foram capazes de encostar o Leão ás cordas, sujeitando-o às investidas atacantes avassaladoras que protagonizou.

Contudo, e num jogo que teria tudo para ser perfeito, o Vitória acabou por falhar no capítulo que mais interessa e que verdadeiramente dá pontos no futebol : a finalização. Com as sucessivas investidas de Targino e Desmarets pelos flancos, seria de esperar que Douglas soubesse levar a água ao seu moinho, ressuscitando assim a veia goleadora que demonstrou durante o arranque da época passada. Apesar de ter trabalhado bastante entre os centrais adversários, tal não se verificou. Apesar de todo o esforço e empenho, Douglas viu os seus esforços gorados, mantendo assim o jejum de golos nesta edição da liga. Quem pensou que o artilheiro ia voltar aos golos, depois de mais uma “acrobacia” frente ao Feirense, bem se desiludiu, ficando Douglas a dever mais um ou dois golos à massa associativa Vitoriana.

Apesar de todas as melhorias, que são evidentes, falta ainda que os “Conquistadores” afinem a pontaria. Já dizia o ditado que “quem não marca, arrisca-se a sofrer” e esta terça-feira tivemos mais uma vez o exemplo de que essa velha máxima ainda hoje se aplica. Contra equipas como o Sporting, onde existem alguns bons executantes, qualquer veleidade da nossa defesa pode ser aproveitada. É realmente nestas ocasiões que os jogadores mais oportunistas tendem a resolver os jogos, o que só não aconteceu por um triz, porque Rui Miguel ainda entrou a tempo de repor alguma (pouca) justiça no marcador.

Contra um Sporting teoricamente fragilizado pelo mau momento de forma que atravessa, o Vitória acaba por conseguir um empate. Noutros tempos e com outros protagonistas e outras exibições, poderia ser até considerado um bom resultado. Nos dias de hoje, e depois da grande exibição que protagonizou, este empate acaba por saber a pouco, mesmo muito pouco, valendo apenas pelo alívio que Rui Miguel deu aos adeptos com o seu golo tardio e providencial. Se Paulo Sérgio acabar por se revelar o treinador carismático que eu penso que é, estão agora, e só agora, lançados os alicerces para uma época que se desejava de maior sucesso que a anterior. Esperemos é que este trabalho meritório dos jogadores e equipa técnica não caia em saco roto lá mais para o fim da época. Com grande parte dos atletas em fim de contrato e com uma direcção que ainda não se definiu em termos de candidatura às eleições de Março, temo que a mesma se venha a escudar na velha desculpa de não querer comprometer o próximo elenco e assim descurar o planeamento desportivo da próxima época, que depende, como é sabido, da definição da situação contratual de certos atletas. É que de supostos “anos Zero” já estão os Vitorianos fartos, e, sinceramente, um clube que gera três vezes mais recita de bilheteira do que o rival que se encontra neste momento a lutar pelos lugares cimeiros, merece mais, muito mais do que a mediania a que, ultimamente, fomos votados.

Desejo a Paulo Sérgio os maiores sucessos desportivos ao leme do Vitória e que este seja capaz de finalmente devolver o clube definitivamente à ribalta do nosso futebol. Estou certo que com a sua juventude, carácter, “raça” , humildade e, claro está, com o apoio de todos os Vitorianos, encontramos o homem que nos irá devolver a estabilidade perdida.

Saudações Vitorianas!

Manuel Aspinall

Guimarães, 29 de Outubro de 2009

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Devaneios…


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Se os mais optimistas dos Vitorianos esperavam pelo jogo com o Leiria para voltar aos triunfos, desde o aproximar do fim da primeira parte que tal esperança se desvaneceu novamente.

Depois de um certo fulgor inicial por parte da equipa da casa, que redundou no golo de Nuno Assis, todos esperavam um desfecho mais positivo para a partida a que assistimos na segunda-feira. Contudo, um contra-ataque rápido por parte da equipa Leiriense veio confirmar as suspeitas de que o União se teria deslocado a Guimarães para discutir o jogo taco a taco com o Vitória. Confesso que eu próprio fui um dos tais optimistas que, crentes num bom resultado, menosprezaram completamente a equipa de Leiria. Acreditei piamente que o Vitória iria presentear os seus adeptos com um triunfo e que a equipa do Leiria, recentemente promovida ao escalão principal, seria um adversário mais acessível para o Vitória. Não podia eu estar mais enganado! O Leiria tem, sem dúvida, uma boa equipa de futebol, matreira e bem organizada e que, acima de tudo, sabe bem o que quer e como deve coordenar o seu jogo de modo a atingir os seus objectivos. Aliando estas características à existência de alguns bons executantes e à presença de um treinador com muitos anos nestas andanças, pode-se dizer que o Leiria tem futebol suficiente para surpreender muito boa gente, incluindo os adeptos dos clubes que, por tradição, almejam a outros vôos que não propriamente os da União. A maneira infantil como o Vitória perdeu a iniciativa do jogo quase nos custou mais uma derrota caseira. A “alma vitoriana” parece ter ficado esquecida numa qualquer gaveta e a ambição, se é que existiu, deve ter ficado no balneário durante o intervalo.

Poderia gastar imensas linhas e parágrafos a comentar as incidências deste jogo. Matéria para tal não falta, como de resto os cerca de 13000 vitorianos presentes também devem ter constatado. Contudo, e como muito vulgarmente se diz, “outros valores se levantam” e algo que se passou no fim do jogo, durante a “flash interview”, teve o condão de me distrair dos acontecimentos que tiveram lugar dentro das quatro linhas. Falo, obviamente, das desagradáveis declarações do digníssimo treinador do Vitória, o Professor Nelo Vingada, em relação à questão que o não menos digno “jornaleiro” lhe colocara, relativa aos impropérios, vaias e lenços brancos oriundos das bancadas do D. Afonso Henriques.

Bem sei que ser o alvo de tais comentários e gestos menos próprios não é nada de muito agradável, bem pelo contrário, mas também sei que os mesmos não são gratuitamente direccionados. Aquilo que o Professor Nelo Vingada parece não ter percebido, e tem forçosamente que perceber, é que tais actos são nada mais do que o resultado da frustração sentida pela generalidade dos adeptos do Vitória, em virtude do mau arranque de temporada que a equipa está a protagonizar. De cada vez que ouvir uma vaia, o Professor Vingada deveria ter em mente os míseros seis pontos conquistados em igual número de jogos. De cada vez que o senhor Professor vir um lenço branco na bancada, deve fazer um esforço para se recordar das paupérrimas exibições que os homens por si orientados têm protagonizado e deve pelo menos tentar compreender a frustração daqueles que renovam lugares anuais, que pagam as suas quotas mensalmente e que se deslocam para o estádio em dias e horas ridículas com a esperança (mesmo que ténue) de ver o seu clube de coração vencer. Insultos e impropérios, ninguém gosta de os receber, bem sei, mas também ninguém gosta de ver o seu clube a perder e, ainda por cima, jogando mal. Quanto á tal “cultura do insulto” a que o Professor se refere, infelizmente a mesma já não é novidade para ninguém. Desde que me recordo de existir que me recordo de ver futebol e desde o primeiro momento em que pisei as bancadas de um estádio que fui confrontado com esta realidade que, apesar de não achar bonita, aprendi a compreender.

O futebol é, acima de tudo, um desporto de emoções fortes. Se não o fosse, não haveria tantos adeptos desta modalidade, e sem adeptos, onde estaria a indústria do futebol neste momento?

Aquilo que o Professor Vingada critica é a própria génese do desporto. Ninguém gosta de perder e ponto final. O que os adeptos querem é celebrar Vitórias, sendo que apenas os menos ambiciosos se satisfazem com empates arrancados a ferros. Como conhecedor do futebol Luso que é, o Sr. Nelo Vingada deveria saber que os adeptos do Vitória primam pelas altas expectativas e pela exigência, devendo também ter em mente que aqui em Guimarães a tal “pressão” se sente como nos três grandes “estarolas”. Vingada sabe-o, como sabem, de resto, todos os profissionais do desporto rei em Portugal. Os sócios do Vitória são capazes dos festejos mais efusivos em caso de Vitória, assim como também são capazes das reacções mais intempestivas em caso de desaire ou em virtude de um resultado menos satisfatório. Se, tal como disse, Nelo Vingada não se deixa afectar por impropérios lançados “a quente”, também deveria fazer orelhas “moucas” e tentar, pelo menos, passar ao lado das críticas que fez aos mesmos adeptos que contribuem para o pagamento “certinho” do seu ordenado ao fim do mês. Perante tal pergunta na “flash interview”, Vingada poderia muito bem ter-se ficado por uma resposta simples, que não ofendesse ninguém e que desvalorizasse os tais apupos e assobios. Nestas coisas, há também que ser um pouco diplomático. Para tal, bastaria dizer que é natural ouvir apupos, pois o que os adeptos querem é ganhar. Nelo Vingada preferiu a via mais difícil, a do confronto directo com a principal “parede mestra” do clube. Agora, e para “fazer as pazes”, são necessários resultados. Esperemos, para o bem de todos, que os mesmos apareçam, até porque já começam a aparecer em Guimarães os muy típicos profetas da desgraça, augurando o mais variado leque de calamidades, e o que é verdade é que o tempo já começa a apertar e os próximos adversários não se afiguram nada fáceis.

Antes de vos deixar, gostaria apenas de apontar o dedo a um problema que urge resolver, relacionado com a pseudo comodidade de que os associados usufruem no seu próprio estádio. Como sócio que sou, todos os anos renovo a minha cadeira no sector EJ da bancada nascente, sendo que desde há uns tempos atrás tenho sentido na pele, melhor dizendo, no nariz, as nefastas consequências de ter escolhido um local tão aprazível para ver a bola. Falo mais concretamente do odor nauseabundo a urina que teima em impestar aquela bancada. O odor chega a ser tão insuportável que nem de cachecol à frente do nariz é possível suportar. Não é que o problema seja recente, pois já em diversas ocasiões, nomeadamente durante a época passada, me foi possível constatar a presença de tal “perfume”. Contudo, quer-me parecer que o mesmo problema se agravou. Convém que a direcção se debruce sobre este assunto e que apure as suas causas e possíveis soluções, sob pena de o já menor número de espectadores “efectivos” diminuir ainda mais. Os sócios pagam as suas quotas e cadeiras, logo merecem todo o conforto que lhes possa ser proporcionado, por mais estranho que isto pareça aos ditos directores do nosso clube. Eu e os meus vizinhos de sector agradecemos.

Até para a semana e saudações Vitorianas a todos.

Manuel Aspinall

Guimarães, 2 de Outubro de 2009

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Por Guimarães, tudo Sereno …


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Recordo-me de, na semana passada, ainda na “ressaca” do jogo contra a Naval 1º de Maio, ter demonstrado algum optimismo em relação à prestação do Vitória nesta época. Após ter amealhado os três pontos de forma aparentemente convincente, mesmo contra um conjunto nitidamente mais vulnerável do que a generalidade das equipas que disputam a mesma prova, tal optimismo surge com uma certa naturalidade. Ao testemunhar a exibição bem conseguida do Vitória, parti do princípio que parte da “receita” para o sucesso nesta época estaria já alinhavada. No entanto, tal presunção durou pouco tempo, muito pouco tempo…

No dia seguinte à publicação da crónica, o Vitória apresentou-se em Matosinhos para medir forças com o pseudo-rival Leixões, num encontro que se antevia “quente” não só devido ao ambiente de crispação entre adeptos que ultimamente tem caracterizado os nossos “encontros imediatos” com os Homens do Mar, mas também pela intensidade habitual deste confronto dentro das quatro linhas. Quem perspectivava um encontro de emoções fortes e alguma dureza à mistura não se enganou, definitivamente. A raça e a dureza que os leixonenses demonstram jogo a jogo não é segredo para ninguém. Tendo em consideração que se trata de uma equipa orientada por José Mota, menos surpreendente ainda se torna esse facto. O Leixões pratica um futebol duro, matreiro e pragmático, não escondendo a ninguém que o seu objectivo primordial passa por condicionar física e animicamente o adversário. Endereço os meus parabéns á equipa da casa, pois conseguiu atingir a plenitude dos seus objectivos, face a um Vitória apático e aparentemente sem alma. Bem sei que o homem do apito pode ter tido uma certa influência, na medida em que consegui, através da constante exibição de cartolinas aos atletas Vitorianos, inibir qualquer tipo de tentativa de jogar de forma mais aguerrida ou apaixonada, ao mesmo tempo que aparentava permitir todo o tipo de veleidades e desvarios aos homens da casa.

Bem sei que alguma responsabilidade cabe ao árbitro. Tal facto é inegável. No entanto, também não podemos negar que o Vitória foi nada mais do que uma presa fácil para esta “coligação” de forças que nos enfrentou, na medida em que pura e simplesmente não contrariou nem tentou contrariar, em tempo útil, a “corrente” do jogo. Se o fez, quando o tentou fazer, era já tarde demais.

Muitos foram os factores que contribuíram para que tal acontecesse. O Vitória apresentou-se em Matosinhos de forma um pouco atabalhoada, deixando transparecer as suas fragilidades perante um Leixões muito mais forte no capítulo físico e táctico. Parecia não haver qualquer “fio de jogo”, pois raras foram as vezes que conseguimos transpor o meio campo do Leixões, tal era a dureza do seu jogo e também o rigor táctico da equipa orientada por Mota. O resultado final, apesar de, a meu ver, ser demasiado avultado, acaba por premiar o empenho e raça demonstrados pela equipa de Matosinhos, penalizando um Vitória ineficaz, ingénuo, perdulário e, tendo em conta a inqualificável atitude de Douglas, indisciplinado.

Ontem ao fim da tarde, cumpriu-se o apronto contra o Sporting da Covilhã, que constitui a estreia do Vitória numa prova que, segundo Nelo Vingada, é para ganhar. Se tal declaração corresponde efectivamente à vontade do Mister, então abertamente lhe digo que, para que tal aconteça, muitas coisas terão que mudar para que tal venha a ser possível. Contra uma equipa de um escalão inferior, o Vitória voltou a protagonizar uma pobre, para não dizer sofrível. Assistiu-se a um jogo de futebol enfadonho, onde o Vitória revelou uma quase total falta de criatividade e objectividade, sendo que apenas terá chegado ao golo por força do penalty tardio assinalado contra os serranos, tento esse que acabou por empurrar a equipa para a obtenção de mais um golo, fruto do alento que a marcação da grande penalidade deu aos jogadores do nosso clube. Quem sabe, se não fosse esse lance do castigo máximo e as valorosas intervenções de Serginho, que negou categoricamente o golo à turma da Covilhã em mais do que uma ocasião, talvez a história deste jogo tivesse sido tragicamente diferente e quem sabe se os Serranos não teriam saído de Guimarães com uma história para contar aos filhos e netos. Valeu, como referi anteriormente, a belíssima exibição de Serginho, que defendeu com vigor a baliza Vitoriana, o empenho de Jorge Gonçalves e Targino, que cada vez mais se afirmam como incontornáveis no jogo ofensivo Vitoriano, e o voluntarismo de Marquinho que, com as suas boas prestações, começa cada vez mais a merecer o estatuto de titular que teimam em não lhe conferir.

Se realmente esta prova é para vencer, então Nelo Vingada terá que ter a noção de que algo não vai bem no seio da equipa, e terá de repensar a maneira como explana o futebol do Vitória no relvado, que até agora tem sido manifestamente insuficiente em relação aos pergaminhos do clube e às ambições das suas gentes que, de resto, foram já assumidas publicamente quer por dirigentes, equipa técnica e jogadores. Espero, e tenho a certeza, que tais mudanças irão ocorrer, até porque temos muita gente á espera de uma oportunidade para se mostrar e, quem sabe, se impôr no modelo de futebol praticado pelo Vitória. É que isto de ter nomes mais ou menos sonantes no banco de suplentes tem muito que se lhe diga, e falta de oportunidades ou de confiança pode sempre levar a muitos descontentamentos que normalmente são nocivos para qualquer balneário. Contudo, se mesmo contra o Covilhã não é dada uma oportunidade a jogadores como Custódio, Santana Carlos (que precisa de minutos de jogo para ganhar rotinas e afinar a pontaria) e Kamani Hill, é lógico que os sócios e adeptos se questionem acerca de quando irão essas oportunidades ser concedidas. Cabe a Nelo Vingada responder, através das sucessivas convocatórias que for apresentando.

Já tinha eu alinhavado a crónica desta semana quando sou confrontado com uma surpresa, que de resto abalou a Nação Vitoriana desde a manhã de hoje. Falo-vos, naturalmente, da notícia hoje veiculada por alguns órgãos da comunicação social que dá conta de um acordo verbal já existente entre o futebolista Sereno e o Futebol Clube do Porto, com vista a que o ainda Vitoriano passe a envergar a camisola azul e branca a partir da próxima temporada. Não me admira que Sereno seja um jogador cobiçado. As qualidades por si demonstradas, aliadas à margem de progressão que a sua ainda tenra idade lhe confere, faz do central Vitoriano um alvo apetecível para muitos clubes. Também não me surpreende o facto de Sereno querer sair do clube no fim do contrato, visto que as várias rondas de negociação da sua renovação contratual saíram goradas. Contudo, espanta-me sim que tal notícia seja “libertada” quando faltam ainda cerca de oito meses para o fim do contrato. É que se não me falha a memória, os clubes só podem abordar livremente jogadores de outros emblemas quando faltarem menos de seis meses para o “términus” do actual contrato. Logo, parte-se do princípio que quem quiser abordar o jogador terá que antes obter autorização para o fazer por parte do clube que ainda detém o passe, autorização essa normalmente concedida após ser acordada uma compensação, normalmente pecuniária, a ser paga ao suposto clube vendedor.

Terá Emílio Macedo feito as pazes com Pinto da Costa e chegado a um acordo para a venda do passe do jogador? A menos de um ano do fim do contrato, não me parece, muito sinceramente vos digo. Parece-me sim que, a ser verdade esta notícia, o F.C. Porto terá mais uma vez ignorado os manuais de boas práticas do futebol, perpetrando uma ilegalidade cabal. Ao negociar com o jogador ou o seu empresário antes do devido tempo, o F.C. Porto está mais uma vez a passar por cima não só dos interesses alheios, mas também por cima de uma lei que, supostamente, seria para cumprir.

Cabe á direcção eleita pelos sócios do Vitória resolver este mistério. Para tal, equacionam-se dois cenários e duas possíveis soluções. Se o Vitória negociou o jogador com um clube que nos prejudicou deliberadamente num passado recente, cabe ao Sr. Presidente elucidar os sócios, revelando o teor do acordo e demonstrar de que maneira irá o nosso clube ser ressarcido. Como tal cenário me parece altamente improvável, fica a segunda hipótese. O Porto, à reveia das leis impostas pela Fifa, aliciou um jogador de clube alheio quando este ainda mantém um contrato de trabalho com mais de seis meses de duração, prejudicando nitidamente o clube que ainda detém o passe do atleta. Se for este o caso, que me parece o mais provável, é imperioso que o Sr. Presidente do Vitória Sport Clube reaja de forma enérgica e instrua o departamento jurídico do clube a apresentar uma queixa na Liga, Uefa e Fifa contra o F.C. Porto, por aliciamento ilícito ao atleta. Se tal aconteceu, é uma ilegalidade de todo o tamanho que, à imagem do que aconteceu a outros clubes europeus, poderá levar o Futebol Clube do Porto a ser severamente punido, nomeadamente impedido de vir a negociar com o dito jogador ou até mesmo proibido de inscrever jogadores numa próxima edição da Liga.

É obrigatório que a direcção do Vitória actue com celeridade no sentido de apurar a verdade dos factos. É também exigível que reaja energicamente a mais esta afronta e que reclame que os seus direitos sejam religiosamente respeitados por todos. O Futebol Clube do Porto pode ser um dos maiores clubes europeus, mas enquanto prevaricador não deve ser tratado com impunidade ou “paninhos quentes”. Deve respeitar as mesmas regras que os outros se esforçam para cumprir, sob pena de o clima de a vergonha que é o futebol português se tornar definitivamente num circo típico de uma qualquer república das bananas.

Exige-se uma acção enérgica e determinada ou, no caso de não confirmação de tal notícia, ao menos um esclarecimento do que se poderá ter passado para que tal veleidade tenha vindo a lume na imprensa.

O Vitória não pode andar nas bocas do país como se de um lorpa se tratasse.

A defesa dos nossos interesse é uma exigência!

A César o que é de César!

Cumprimentos a todos os leitores e até para a semana, seu Deus quiser, num ambiente já mais Sereno.

Manuel Aspinall

Guimarães, 24 de Setembro de 2009.

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O regresso…


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É com gosto que, passados quase cinco meses desde a última crónica, regresso a este espaço para partilhar com os leitores aquilo que me vai na alma, no que à minha paixão futebolística de sempre concerne, o nosso mais que amado Vitória Sport Clube.

Recordo-me agora, com uma certa angústia, dos acontecimentos que me levaram a “desistir” de comentar a ponta final da prestação Vitoriana na edição anterior da Liga Sagres. Numa época em que se perspectivavam os mais altos vôos para o nosso Clube do  coração, vimos as nossas legítimas expectativas de crescimento e de grandeza goradas, adiadas por mais algum tempo, vá-se lá saber quanto! Nessa altura, depois de tanto idealizar, foi a massa associativa Vitoriana confrontada com um “lusco-fusco” de época assombrado pelos nada mais que medianos resultados desportivos e pela continuação de um certo autismo por parte da direcção no que diz respeito à política de gestão dos recursos, capitais e humanos, do nosso clube. O desenrolar da segunda metade da época passada foi, em quase todos os capítulos, a confirmação de que seria ainda preciso galgar um longo e penoso caminho para que  a ambição dos ditos gestores do nosso amado Vitória fosse condizente com a crescente mas legítima ambição de quem todos os anos sacrifica parte dos seus rendimentos para a maior causa comum da generalidade dos Vimaranenses. A mediocridade que corresponde à prestação na passada edição da Liga é irrefutavelmente atestada pelas contas finais do campeonato. Depois de todos os comentários e de toda uma retórica argumentativa em que espelhei livremente a minha frustração pessoal por não ver certos objectivos cumpridos, achei que, face á situação que teimava em persistir, nada mais haveria a dizer em relação àquilo que acabou por se revelar uma desilusão para todos os Vitorianos. Restar-me-ia esperar pelo início dos trabalhos da nova época e aguardar por novos objectivos e outros protagonistas que pudessem lutar por atingi-los.

Moral da História : um saldo final negativo em matérias de golos (32 tentos marcados contra 36 sofridos) e em resultados finais (em 30 jogos, o Vitória ganhou 10, empatou 8 e perdeu 12) levou o Vitória a ocupar um modesto oitavo lugar na tabela, parco para uma equipa que supostamente “debitava” ambição e cujos sócios, seu verdadeiro capital humano, acalentavam com esperança justificada a consolidação de um estatuto europeu entretanto perdido.

Na época passada, o Vitória nada mais foi do que o “espelho” da competição medíocre que disputa, um campeonato onde quem perde mais do que ganha consegue manter um estatuto de mediania. A lição que Emílio Macedo e seus pares (mesmo os entretanto desavindos) devem retirar do exercício passado é a de que nada se governa sozinho, sem rumo traçado e sem orientações a seguir. Os ilustres directores do nosso clube foram ingenuamente levados a acreditar (não sei se por força de um qualquer protocolo) que não precisariam de grande esforço ou investimento para gerir os destinos de um clube que diariamente mexe com o coração de 32.000 pessoas que pagam para poder celebrar um golo ou de cerca de 150.000 (dizem eles) que, mesmo não pagando, vã acompanhando semanalmente a prestação da equipa e sofrendo “aos pouquinhos” por esta não lhes dar um título ou uma taça, por pequena que seja, para celebrar. Resta-nos esperar que tenham aprendido algo com a lição e que sejam este ano capazes de traçar um rumo diferente para as coisas. Caso tal não se vislumbre, teremos oportunidade de, quando chamados às urnas, rectificar as escolhas do passado e dar a nota final a este elenco que, em três anos, foi capaz do melhor e do pior. Mas de matérias e polémicas directivas falarei mais adiante…

Além de todas as polémicas e escândalos protagonizados por pseudo-dirigentes que parasitam o futebol de norte a sul, este é um desporto que, visto na sua essência, se resume à disposição técnico-táctica de duas equipas de onze homens orientadas por um técnico, que procuram articular-se no domínio de uma bola de forma mais eficaz que o respectivo adversário, sempre com o objectivo de marcar mais um golo do que este, ou, pelo menos, assim deveria ser. Sem mais rodeios ou “rodriguinhos” à volta desta questão, o futebol vive dos que o praticam, dos jogadores, sendo que estes deveriam ser os seus principais protagonistas.

Com o início de cada temporada, invariavelmente surgem caras novas, mais ou menos conhecidas, com o objectivo de colmatar lacunas e reforçar uma equipa com vista a atingir um certo e determinado objectivo, por norma, superior aos das épocas anteriores. Como não poderia deixar de ser, o Vitória não foi excepção e,  num ano em que a equipa perde o “Timoneiro Cajuda”, são muitas as caras novas que se apresentaram no Complexo Desportivo para integrar a equipa Vitoriana e assim, supostamente, ajudar ao engrandecimento do clube.

Não demorou muito para que o sucessor de Cajuda fosse conhecido. Desde o dia da tal reunião que descambou em despedimento que na imprensa vinha sendo veiculado o nome de Nelo Vingada como a nova escolha para assumir a chefia técnica do plantel profissional do Vitória. Nesta sucessão, há a registar um facto curioso: Nelo Vingada chega a Guimarães proveniente do Irão, via Egipto, local de onde embarcou Cajuda a caminho de Portugal. Ambos têm passagens pelo comando técnico do Zamalek, eterno rival do Al-Ahly, que dias antes do Vitória, tinha também abordado o técnico que hoje comanda os destinos da turma Vimaranense. No entanto, e apesar de terem passado pelo futebol egípcio, os perfis destes dois homens são mais marcados por diferenças do que por quaisquer semelhanças que possam existir. É caso para dizer que, ao existirem coincidências entre ambos, as mesmas ficam por aqui.

Enquanto Manuel Cajuda se perfila como um comunicador nato, capaz de emocionar os seus ouvintes com lampejos de romantismo que parecem retirados do Lirismo Camoniano, Nelo Vingada prima por ser um académico das bola, verbalmente muito prudente e bastante pragmático. Pelo que me é dado a perceber, trata-se de alguém que pensa mais em futebol do que aquilo que fala, procurando ligar o seu nome e imagem mais à gestão técnica da equipa do que a qualquer política ou postura adoptada pelas direcções dos clubes onde trabalha. Embora tenha estado afastado do futebol Luso nos últimos anos, a sua passagem pelo Belenenses, Académica, Marítimo e Benfica enquanto adjunto atestam o seu conhecimento do futebol nacional. O trabalho por si desenvolvido ao Serviço da Selecção Nacional acaba também por ligar este técnico a uma componente formativa, facto que também parece ter pesado na sua escolha para Treinador do Vitória. Tacticamente falando, Vingada parece ser também um pouco mais evoluído do que Cajuda, que parecia “preso” a um modelo táctico que teimava em transpor para o relvado e cujas deficiências e ineficácia estavam já à vista de todos. Neste capítulo, o novo responsável técnico Vitoriano já demonstrou, ao longo destas quatro jornadas iniciais, ser capaz de adaptar o esquema táctico da equipa consoante o adversário que tem pela frente, enquanto Cajuda parecia colocar sempre o mesmo onze em campo, independentemente de jogar contra o Benfica ou o Trofense. Vingada aparenta ser um homem menos agarrado a preconceitos, optando por, para já, adaptar o esquema táctico da equipa consoante o adversário que defronta. É certo que a maioria dos adeptos desconfiará que o treinador ainda não definiu o esquema táctico base da equipa, o que até certo ponto é verdade.

No primeiro encontro, em Setúbal, o enfadonho futebol que se praticou é típico destes confrontos de início de época. Mesmo contra uma equipa manifestamente mais fraca do que a nossa, notou-se que o Vitória acusou a pressão de estar a realizar o primeiro jogo “a doer” contra um adversário tradicionalmente mais difícil e que, nesse jogo, fez questão de jogar com onze jogadores atrás da linha da bola. No final, o empate trouxe um certo travo amargo á boca da generalidade dos Vitorianos não só pelo nulo verificado, mas pela mísera qualidade da exibição protagonizada pelas duas equipas. No entanto, gosto de pensar que, normalmente, uma equipa só joga aquilo que a outra deixa jogar.

No confronto caseiro com o Benfica, as coisas mudaram radicalmente de figura. Contra um adversário mais forte e poderoso, que joga um futebol mais aberto e apoiado, a equipa da casa conseguiu também impôr o seu próprio ritmo, levando por várias vezes o perigo à baliza defendida pelo homem de Delães. Se o resultado final corresponde à primeira derrota desta edição da liga, tal aconteceu não devido à falta de qualidade ou rigor táctico da equipa, mas devido à falta de eficácia demonstrada pelos nossos artilheiros, associada também a uma certa falta de sorte neste capítulo. O “retornado” Targino teve por duas vezes o golo no pé, sendo certo que apenas não atingiu as redes adversárias por falta de sorte e também devido a uma certa falta de maturidade e frieza no momento da verdade. O golo do Benfica surge ao cair do pano, premiando injustamente a equipa que já parecia mais habituada à ideia de que iria sair de casa alheia com um pontinho na mala.

Em Paços de Ferreira, para não fugir à regra, ficou mais uma vez bem demonstrado  que qualquer equipa da Liga se vê “grega” para fazer seja o que for quando defronta os Castores. Já não é de agora que o Paços é uma equipa matreira, que joga num campo pequeno e de terreno bastante irregular. Desde que me lembro de ver futebol, os desafios contra o Paços de Ferreira sempre foram complicados. Pode não ser uma equipa de referência, mas a tenacidade com que defendem e embrulham o jogo, aliadas à capacidade física da equipa, sempre em alta, faz com que qualquer adversário, por mais argumentos que tenha na frente, perca o couro e o cabelo para marcar um mísero golo.

O apronto caseiro contra a Naval, adversário notoriamente mais fraco e debilitado, terá servido para aumentar o nível de confiança de uma equipa que, não sendo má, evidencia ainda alguma falta de articulação e clarividência. Contudo, a equipa mostrou mais alguma maturidade e fluidez, sendo vários os jogadores em bom plano e merecedores de louvor. A equipa terá ganho, com a chegada de Lazaretti, um central forte, voluntarioso e com faro de golo, que faz esquecer as amarguras de um passado recente em que ainda estávamos nitidamente órfãos de Geromel. Targino voltou a estar em bom plano e Jorge Gonçalves terá cimentado definitivamente a sua posição no plantel. Apesar de Douglas teimar em não marcar, deu a marcar e  trabalhou quanto baste no meio dos centrais, obrigando os mesmos a desdobrarem-se em trabalhos para suster as inúmeras tentativas de chegar ao golo por parte da turma da casa. Boa nota também para a exibição de Desmarets, que parece estar de volta à boa forma de outros tempos. Neste jogo, ficou patente que o Vitória tem matéria. Apesar de certos automatismos ainda não estarem convenientemente afinados, ficou á vista de todos que o Vitória tem, pelo menos, uma equipa mais equilibrada e coesa do que o ano passado, o que por si só legitima as nossas ambições a conseguir algo melhor do que o miserável 8º posto da época anterior.

Para que tal seja possível, é necessário que o Vitória encontre o seu “fio-de-jogo”. É preciso encontrar um modelo táctico que consiga encaixar as pedras que temos disponíveis no nosso Xadrez. É absolutamente necessário que os que por cá continuam imprimam ao grupo de trabalho a mentalidade vencedora necessária, pois só assim a integração dos reforços será proveitosa a curto ou médio prazo. Para tal irá contribuir certamente o elevado número de atletas portugueses no plantel. Aliando os mesmos ao número de jogadores da “cantera” de que dispomos, só por si um feito louvável, estou certo que rapidamente os novos reforços ficarão contagiados por este vírus benigno que continua a alastrar por terras de Vimaranes. Esperemos então que tal seja possível, para que em pouco tempo possamos ver o melhor de Lazzaretti (que já vem mostrando o porquê de ser namoro antigo), Tiago Alencar, Kamani, Rui Miguel, Mendieta e aquela que perece já ser a eterna promessa adiada, a vedeta do girabola, Santana Carlos.

Apesar dos aparentes maus resultados de início de época, quer-me parecer que teremos uma época mais regular do que anterior. Para que tal deixe de ser uma suposição e passe a ser uma verdade, é também necessário que a direcção do clube dê também margem de manobra suficiente á equipa, não entrando em veleidades que já cometeu no passado, do género de vender titulares indiscutíveis no mercado de inverno. É também preciso que a equipa técnica e respectivos jogadores tenham tranquilidade suficiente para se concentrarem apenas e só no futebol, sem estarem sujeitos a certos tipos de instabilidade directiva que caracterizaram o último exercício da actual direcção.

Se Emílio Macedo e seus pares tomarem consciência dos erros do passado e do preço que poderão vir a pagar em Março, certamente estarão cientes do caminho simples e discreto que até lá terão que percorrer. Convém também um certo decoro no que diz respeito a certas tomadas de posição, pois o futuro é incerto. Emílio Macedo tem que tomar consciência de que o seu futuro á frente do Vitória se encontra em xeque neste momento. Qualquer medida irreflectida ou inesperada poderá hipotecar completamente o trabalho de quem lhe suceder, dando-lhe também a velha desculpa de que “a culpa é de quem estava cá antes”. Por isso, vá andando com calma, Sr. Emílio. Lá para Março pode ser que já tenha tempo mais do que suficiente para se ocupar dos seus negócios, tão negligenciados (será mesmo assim?) por força das suas obrigações institucionais. Espero é que, ao menos, tenha salvaguardado o clube de continuar obrigado a cumprir com “protocóis” e de pagar salários milionários injustificáveis (e sabe-se lá que mais!)  a funcionários escolhidos ou “encunhados” por si, cujas tarefas são de carácter pouco claro para não dizer duvidoso. Pode ser que assim se consiga poupar ao desgaste que a sua imagem já sofreu na cidade de Guimarães.

Gostaria também de deixar uma pequena consideração acerca da recente actuação de Pedro Xavier no que à tentativa de convocatória da A.G. extraordinária diz respeito. Estou certo que o senhor terá menosprezado a juventude dos associados de quem partiu a iniciativa. Contudo, com certeza tem a sensibilidade suficiente para chegar à conclusão que tal ímpeto nada mais é do que o crescente reflexo daquilo que vai na alma da generalidade do sócio Vitoriano. O facto de ter recusado a convocatória e ter recambiado as 140 assinaturas, mais do que suficientes à luz dos estatutos, constitui um grave atropelo aos valores supostamente democráticos que regem a vida desta grande colectividade. A sua obrigação era aceitar e deferir tal requerimento, mesmo não concordando com ele. Se está assim tão convicto das suas razões, concerteza teria oportunidade de tentar apaziguar os sócios em sede própria, na Assembleia Geral que ficou por marcar. Lá teria com toda a certeza a oportunidade de expôr o seu ponto de vista e apelar à calma dos sócios. O senhor tem todo o direito de aconselhar, mas também tem a obrigação de fazer com que neste clube se cumpram religiosamente os estatutos. Espero que até à próxima A.G. o senhor pense bem no que fez, sob pena de a generalidade dos sócios o condenar ao mesmo descrédito que já demonstraram em relação ao restante elenco directivo.

Em jeito de despedida, saúdo todos os leitores nesta recomeço de época, deixando a promessa de cá voltar todas as semanas para vos dar um “cheirinho” daquilo que, para mim, é sentir o Vitória.

Um abraço para todos e um cumprimento especial para os administradores do vitoria1922.com.

Até à próxima semana!

Guimarães, 17 de Setembro de 2009.

Manuel Aspinall

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Vitória perde frente ao Sporting por 2-1 – GMR TV


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O Talismã…


Como já podem os meus amigos ter reparado, costumo referir-me com bastante frequência à chamada sabedoria popular. Posso até perceber que algumas mentes mais presas aos cânones do método científico desvalorizem essa fonte de conhecimento em virtude da sua crença nas fórmulas e em outras variáveis, no entanto, não deve esta fonte de saber ser menosprezada. Com toda a certeza, já deve ter passado o dia em que cada um nós se viu confrontado com uma realidade que antes vira descrita num provérbio. Há quem lhe chame conhecimento empírico. Eu prefiro chamar-lhe “saber de experiência feito”.

“Quem colhe ventos, semeia tempestades…”

Não será preciso ter um intelecto de calibre genial para associar este proverbial dito àquilo que sucedeu ao Vitória nesta época.

Após uma época recheada de sucessos, foram as gentes desta cidade construindo legítimas expectativas de grandeza. Contudo, com o decorrer da fase de planeamento da pré-temporada e da época que estamos a atravessar, foram-se as pessoas desiludindo, rendendo-se ao marasmo que o clube atravessava em matéria de resultados desportivos.

Em vez de colocarem sementes de qualidade certificada na terra, os “lavradores” que cuidam das terras vitorianas semearam-nas com sementes baratas e de qualidade duvidosa, apregoando aos sete ventos a sua (in)questionável qualidade. O resultado foi o que se viu, uma época atribulada, em que algumas “saraivadas” e “geadas” com que ninguém contava foram pondo a descoberto a verdadeira qualidade da matéria com que se cultivou parte do Vitória deste ano.

Nós, os sócios, verdadeiros motores deste clube, fomo-nos rendendo às evidências que esse marasmo desportivo puseram a descoberto. Não seria possível fazer mais com tão pouco e de tão fraca qualidade…”quem não tem cão, caça com gato!”

Assumo, sem qualquer problema, que eu próprio fui vítima desse contágio. Durante dias a fio, não me surgiam ideias nem era capaz de tecer qualquer consideração sobre o panorama actual do clube. Parecia que tudo estaria já dito, que mais não haveria a acrescentar. Para quê falar de desilusões, expectativas goradas e frustrações, se já o fiz antes e se outros o continuam a fazer? Os problemas actuais do nosso clube, assim como os seus principais causadores, estão à vista de todos. As consequências que possamos vir a sentir de futuro estão também ao alcance de qualquer vista míope, mesmo que desprovida de lentes ou óculos. É por demais evidente que precisamente no ano em que o clube deveria crescer em resultados e ambições desportivas acabou por acontecer precisamente o contrário, sendo que o descalabro não será ainda maior muito por força da falta de qualidade patente nas equipas que se encontram atrás de nós na tabela classificativa.

“Atrás de mim virá quem de mim bom fará…”

Não me parece que estas sábias palavras, proferidas vezes sem conta pelos nossos ancestrais, tenham sequer passado pela cabeça de Paulo Pereira. Sinceramente, não o creio. No entanto, e mais uma vez, os antigos pareciam já ter preconizado o que sucederia ao Departamento de Futebol do Vitória.

Após os dias de glória vividos debaixo da batuta de Paulo Pereira, o mesmo é afastado do cargo que ocupava, sendo encaminhado para um outro departamento. Diziam as vozes directivas, na altura, que Paulo Pereira seria mais útil noutras funções, mais próximas da presidência, interrompendo assim um trabalho valoroso e meritório. A sucessão do mesmo departamento seria assegurada por Manuel Almeida, velho conhecido das nossas gentes.

Apesar de não se terem repetido as digressões ao Brasil, com as suas lamentáveis cenas de tiroteio, o que é facto é que a temporada que Manuel Almeida passou ao leme do futebol do clube foi tudo menos pacífica. Desde as escolhas questionáveis para o reforço da equipa que se reparava que por aquelas bandas algo não andaria bem. O seu “reinado” no departamento de futebol foi fugaz, tendo sido marcado pelos fracos resultados desportivos, pelo desmoronar dos objectivos a que se propuseram e pelo deteriorar das relações com o Director Desportivo e restantes membros da direcção. Foram prometidos comunicados e esclarecimentos cabais, onde Manuel Almeida poria a nu todos os podres que assolavam o Vitória, assim como a suposta cumplicidade existente entre Presidente e Director Desportivo, mas mais uma vez se pode constatar que “cão que ladra não morde”.

”Rei morto, Rei posto”. Após um curto período no qual o nosso vetusto Presidente prescindiu do conforto do camarote em favor do banco de suplentes, eis que Paulo Pereira volta a assumir as funções que antes desempenhou com brio e mérito.

Não sou, nem nunca fui, supersticioso. No meu entender, o sucesso é sempre fruto do trabalho e não de meros acasos. Também não sou daquelas pessoas que atribui os sucessos e os desaires à sorte ou à falta dela. Acredito sim, que a sorte se procura e quando a encontramos é sinal que teremos já percorrido um longo, árduo e trabalhoso caminho.

O que é facto é que desde o momento em que Paulo Pereira voltou ao banco de suplentes, a equipa não só voltou a ganhar como parece ter voltado a apresentar alguns rasgos da qualidade que teimava em não aparecer. Alguns dos atletas que pareciam ter perdido o fulgor de outros tempos, reapareceram em boa forma, como que por milagre da divina providência.

Não costumo acreditar nos supostos poderes de ferraduras, patas de coelho ou trevos de quatro folhas. Como já referi, não sou supersticioso, mas por outro lado não vos escondo que me começo a interrogar se Paulo Pereira não será, efectivamente, uma pessoa bafejada pela sorte e pela fortuna. Qual Rei Midas, aquilo em que Paulo Pereira toca parece transformar-se automaticamente em ouro, seja bosta ou um qualquer bilhete do euromilhões. Será que esta aparente maré de bons resultados se vai manter? Isso não sei meus amigos, e acho que ninguém sabe, mas quero acreditar que sim. Quero acreditar que, conforme os antigos diziam, “depois da tempestade, vem a bonança!”

Em jeito de post scriptum, não posso deixar de comentar as declarações proferidas na semana passada, quer pelo nosso Mister Manuel Cajuda, quer pelo seu “patrão” e nosso representante Emílio Macedo da Silva.

Nas declarações trazidas a “lume” pelo ilustre José Marinho, que agora é “cicerone” do Mister Cajuda, somos mais uma vez brindados com o “benfiquismo” do nosso Mister, não fosse o jogo seguinte contra o próprio Benfica. No meu entender, este tipo de declarações deveria ser evitado e não estimulado, como parece ser o caso. Interrogo-me se um profissional da comunicação social como o Sr. Marinho, na qualidade de acessor de imprensa de Cajuda, não deveria zelar pelos interesses do seu cliente e do clube que este representa, em vez de enaltecer, pela enésima vez, o “amor” eterno que liga Cajuda ao clube da Luz? Não deveria o Sr. Marinho preocupar-se com a ligação contratual entre o seu cliente e o clube que este representa, salvaguardando a imagem de ambos, colocando-os á parte de qualquer benfiquismo, por mais público que ele seja? Que Manuel Cajuda é um benfiquista dos quatro costados já todos o sabem…escusam é de nos lembrar disso de cada vez que o nosso clube defronta o clube do milhafre. Pelo que fez em prol do Vitória, o senhor Manuel Cajuda merece todo o meu respeito, consideração e admiração, sem qualquer sombra de dúvida. Contudo, são estas verdades incómodas, ditas em alturas incómodas, que vão minando a relação existente entre o treinador do clube e dos seus adeptos.

Pelo amor de Deus, Sr. Cajuda…não se esqueça que é “pela boca que morre o peixe” e veja lá se nos faz o gosto de dizer ao seu “cicerone” que dispensa este tipo de “tiradas” escusadas, precisamente antes do encontro com o seu clube do coração. Não havia necessidade! O senhor até se exprime bem, para que precisa de um acessor de imprensa? Aposto consigo que nenhum jornalista seria capaz de transmitir o mesmo romantismo que o senhor empresta ao futebol com as suas declarações…

Quem deveria contratar um acessor de imprensa com urgência seria o Sr. Emílio Macedo da Silva, além do mais que necessário e óbvio professor de Português. Contudo, a lista de profissionais a serem contratado para acessoriar o nosso digníssimo Presidente não deveria ficar por aqui. Deveria também recorrer aos préstimos de um especialista em Oftalmologia, visto que ainda não percebi aonde é que o Sr. Emílio vê um plantel mais valoroso do que o ano passado e uma equipa mais evoluída. Já nas suas declarações quanto ao “negócio Geromel”, Emílio Macedo diz que concretizou um “negócio fabuloso” por um “valor justo”. Talvez seja necessário também equacionar a contratação de um economista que possa de uma vez por todas explicar a estes senhores o que são negócios fabulosos, assim como um bom vendedor com experiência em mercados externos, para que de futuro não nos deixemos levar por um qualquer alemão impregnado de água de Colónia. Nestes negócios retalhados que rodeiam o futebol de onde em dia, em que divisões e partilhas de percentagens de passes são uma constante, já se sabe de antemão que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é burro ou não tem arte”.

Quanto á sua falta de crença no real valor do jovem jogador, o Sr. Presidente que se vá convencendo. Não vaticino qualquer valor, mas a constante e progressiva valorização de Geromel é um facto inabalável, assim como é inabalável a minha convicção de que talvez nunca venhamos a ter um central da sua qualidade. Se, mesmo assim, o negócio tiver ocorrido por convicção e não por necessidade, nada melhor que consultar um Psicólogo! De convicções tratam eles…

Antes de me despedir, queria apenas felicitar a equipa de futebol por ter conseguido fazer com que os adeptos voltassem a acreditar.

Queria também transmitir os meus mais sinceros votos de rápidas melhoras ao atleta Julian Blanks! I’m sure that you’ll be able to win this tough game that lays ahead. Don’t worry about us…just be sure that we’ll be here supporting you and sharing our enormous strength with you . You’ll see that you’ll be back in no time and everything will be just fine!

Queria também apresentar um pedido de desculpas aos leitores e administradores deste sítio, por ter estado “ausente” por tanto tempo, mas como podem compreender, há alturas da nossa vida em que não podemos pôr de parte certas obrigações. Agora que as águas acalmaram, voltarei certamente a escrever para este espaço com a frequência do costume.

A todos, um grande abraço!

Manuel Aspinall

Guimarães, 17 de Março de 2009

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Desilusão


fora-jogo

Há uns tempos atrás, encontrei-me, como de costume, com um amigo de longa data para o café e conversa da praxe, num fim-de-tarde soalheiro, por entre as esplanadas do nosso Centro Histórico. É um dos prazeres que tenho, esse de conviver com os amigos, trocar ideias e exprimir livremente opiniões sem qualquer constrangimento, enquanto se degusta com prazer um “fino” ou dois.

Por norma, as longas tertúlias que com ele mantenho são bastantes variadas no seu conteúdo. Fala-se, autenticamente, de tudo, desde os temas mais circunstanciais, como o clima, até aos mais metafísicos e existenciais, passando, obviamente, pelos assuntos relacionados com o sexo oposto. Contudo, nunca falamos de futebol.

Numa das últimas ocasiões em que tal convívio se proporcionou, comentávamos o mau momento pelo qual um outro amigo estaria a passar, devido à ruptura com a sua companheira até então. Rapidamente começamos a dissertar sobre a facilidade com que o Homem se entusiasma ou se ilude, mediante os estímulos do meio em que se encontra. Por vezes, basta um pequeno sinal para que iniciemos a nossa caminhada pelo mundo das nuvens, sem querer saber se temos os pés no chão ou não. Nessas alturas, não acreditamos em desgraças ou precalços. Confiamos plena e cegamente que tudo vai correr bem, às “mil maravilhas”, sendo que na maior parte das vezes esse excesso de confiança nos conduz à displicência, à acomodação, a acreditarmos que aquilo que temos é garantido e que já não precisamos de mexer “uma palha” que seja. Como todos sabemos, não há homem que se acomode sem ter que, mais tarde, pagar a factura pelo seu laxismo, pela sua atitude incompetente de “laisser passer”.

No nosso clube, também houve quem deixasse andar, quem pensasse que o trabalho já estava todo feito e que o sucesso para esta época seria garantido

No início desta época, para os Vimaranenses e Vitorianos amantes do futebol que se pratica cá no “burgo”, a vida parecia um mar de rosas. Sem sabermos muito bem nem como nem porquê, vimos-nos resgatados da travessia no deserto que enfrentamos na segunda liga e, de um momento para o outro, catapultados para o suposto estrelato do acesso á Liga dos Campeões, qual quimera dourada do comum adepto de um clube. Parecia que estávamos a viver o primeiro namorico da nossa adolescência, onde tudo é bonito, o céu é sempre azul e o ar cheira a rosas.

Com o tempo foi-se verificando que, afinal, o pequeno mundo em que estávamos a viver não era tão bonito e idílico quanto isso.

Passo a passo, fomos vendo os objectivos a esfumarem-se, as nossas expectativas enquanto adeptos a gorarem-se, os nossos sonhos de grandeza a desvanecerem, como qualquer matéria volátil que se evapora. O pior de tudo é que este cenário era previsível e já amplamente antecipado pelos mais atentos.

Mas, deixemos-nos de sonhos e passemos à descrição da triste realidade…

Hoje em dia, estamos mais longe do estatuto dos ditos grandes e mais próximos da mediania que nivela por baixo a competitividade da nossa liga. Perdemos a oportunidade de nos diferenciarmos de Estrelas, Navais, Académicas, Marítimos e Nacionais. Deixamos-nos ultrapassar pelos nossos rivais mais directos de forma infantil e ingénua. Para a nossa direcção, será que eles existiam? Ou será que os seus olhos toldados pelo Champagne do sucesso momentâneo os distraíram de uma realidade dura e exigente em esforço e empenho, que está agora à vista de todos?

Que o planeamento da presente época correu mal, todos sabemos. Que a pré-temporada foi programada encima do joelho e sem critério, também está à vista de todos. A política de contratações e reforço da equipa, bem, isso… até me recuso a comentar!

É por estes motivos que me sinto frustrado quando olho para a realidade desportiva actual do nosso clube. Sinto-me frustrado porque este ano poderíamos ter dado um passo de gigante em direcção á nossa afirmação como o “quarto grande”, de forma definitiva e sólida. Poderíamos ter valorizado ainda mais o clube, os nossos jogadores e a nossa equipa técnica, sendo que ninguém se furtaria a reconhecer os méritos à nossa equipa de dirigentes se tivessem cumprido, mesmo que de forma parcial, os objectivos a que se propuseram. Assim, todos saímos prejudicados. Nós, enquanto adeptos devotos e fieis, que continuamos a sofrer por resultados que teimam em não aparecer, por uma equipa que se queria aguerrida e competitiva e se encontra, neste preciso momento, a definhar.

O jogo de ontem foi a prova cabal de que este ano somos uma autêntica sombra do ano passado, em todos os aspectos. Num apronto que foi de carácter eliminatório para nós, vimos uma equipa a entrar em campo sem garra, sem ambição e, pior do que tudo o resto, a deixar-se atrofiar pelo adversário, mesmo jogando em casa. Num jogo que supostamente deveria ser totalmente diferente dos outros, vimos um Vitória ainda pior do que o da Choupana, pelo simples motivo de que não jogou para ganhar, na sua própria casa. Custa-me a fazê-lo mas, neste capítulo, Manuel Cajuda terá que arcar com as culpas. Não me sai da memória a teimosia em jogar na Choupana com Andrézinho adaptado a lateral esquerdo, quando havia um Milhazes, esquerdino de raiz, a descansar no banco. Também não consigo perceber como é possível começar um jogo de eliminatória em casa, que deveríamos vencer a todo o custo, sem finalizadores de raiz, preferindo jogar com um Marquinho que terá certamente as suas qualidades, mas já nos mostrou ser deficitário e manifestamente insuficiente no capítulo da finalização.

Tenho uma profunda admiração por sí, Sr. Cajuda, mas ontem passaram-se coisas que ninguém pareceu perceber e que ficaram por explicar.

Quanto à suposta equipa “coesa” (?) de directores que temos, deveriam ter a hombridade de assumir os seus erros e a sua atitude displicente. Terão que explicar porque não investiram em valores seguros em vez das incógnitas que por cá temos, como foram capazes de, mesmo sem grande investimento, aumentar o passivo e o porquê de terem preferido contratar em Janeiro jogadores sem qualquer ritmo competitivo e a necessitar de adaptação a uma realidade manifestamente diferente daquela a que estavam habituados a viver. Acima de tudo, terão que nos explicar porque é que nos prometeram tudo e não nos deram nada!

Quanto a esse assunto, o Mister já se calou…

Cabe agora ao Sr. Emílio Macedo e ao tal de Sr. Santos falar, se o souberem fazer…

“Para o ano que vem há mais”, é este, o nosso triste fado!

Manuel Aspinall

Guimarães, 18 de Fevereiro de 2009

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Silêncios..


Tempos conturbados, os que se têm vivido para os lados da “Unidade”…

Após uma derrota algo aziaga em Coimbra, como se isso não bastasse, alguém decidiu bater definitivamente com a porta, causando um estrondo de tal forma grande que se terá ouvido por toda a cidade. Como todas as más notícias, também esta correu depressa, sendo que no próprio dia um célebre programa de rádio transmitido pela emissora católica da capital dava já conta do sucedido, aproveitando o facto para dar voz ao protagonista de tal façanha, numa entrevista de carácter nitidamente mais sensacionalista do que esclarecedor.

Após as sucessivas intervenções de Manuel Almeida nos meios de comunicação social, ficaram os vitorianos a saber exactamente o mesmo. Nas suas múltiplas declarações, o vice-presidente demissionário anuncia a sua decisão com veemência, aproveitando a ocasião para instalar de novo a polémica e o “diz que disse” no seio da família vitoriana, ao dar a conhecer possíveis desentendimentos com outros elementos da direcção, inclusivamente com o Presidente Emílio Macedo da Silva e o actual Director Desportivo (ou algo mais???) do Vitória.

As revelações prometidas por Manuel Almeida seriam bombásticas, segundo o que o próprio deu a entender. Desde o protocolo com o Benfica, até à política de contratações do clube, passando pela ruptura com o F.C. Porto e pela atribulada relação que mantinha com Vasco Santos, seria de prever um autêntico furacão de notícias e polémicas por terras vimaranenses.

Para já, Manuel Almeida ficou-se apenas pelas intenções. O tal comunicado que prometera acabou por não ser emitido, sendo que as tais “revelações bombásticas” ficaram, entretanto, em “águas de bacalhau”. Contudo, quando eram esperados esclarecimentos acerca do sucedido por parte dos restantes elementos da direcção, os mesmos fecharam-se em copas, preferindo não acicatar os ânimos nem alimentar mais polémicas em torno do Vitória, em tempos tão conturbados como este.

Após ter pensado mais friamente sobre esta questão, sou até capaz de perceber os motivos pelos quais Emílio Macedo não abriu o jogo. O passado recente do Vitória tem sido rico em episódios polémicos, tendo-se notado uma crescente crispação entre equipa técnica e direcção que, até então, era desconhecida dos sócios. O fecho do período de transferências e a recente “novela” da “Carlsberg Cup” podem, de facto, ter inibido Emílio Macedo de falar sobre esse assunto. No entanto, e apesar de tentar perceber o seu silêncio, esperava uma atitude mais enérgica dos que cá ficam, até como meio de legitimar a continuidade do apoio dos sócios.

Como sabemos, o Vitória Sport Clube não é uma empresa como as outras, nem mesmo um “clube-empresa” como as SAD’s que habitam o campeonato Português. O Vitória é um clube dos sócios e para os seus sócios. Somos nós a pedra basilar deste clube, somos nós o seu principal pilar de sustentação e também somos nós que elegemos o orgão que nos dirige enquanto colectividade. Logo, e no meu humilde entendimento, era um dever desta direcção esclarecer os seus eleitores acerca dos motivos que levaram á ruptura com um elemento que também foi eleito por nós. Se eu bem me recordo, os sócios elegeram Emílio Macedo, Paulo Pereira e Manuel Almeida, entre outros, e não apenas o primeiro. Torna-se portanto essencial um esclarecimento acerca dos motivos que levam á demissão de um elemento que foi democraticamente sufragado pelo universo vitoriano, tal como foi referido pelo Presidente da Assembleia Geral, Pedro Xavier. A título de exemplo, recordo o afastamento do também “ex-vice” Luciano Baltar. Neste caso, o esclarecimento foi prontamente emitido, ficando os sócios a conhecer os motivos do seu afastamento. Seria desejável que o nível de transparência evidenciado em situações anteriores se mantivesse, principalmente numa altura em que cresce a contestação ao exercício desta direcção.

Recordo as palavras de Emílio Macedo, aquando da sua tomada de posse, quando dizia que o Vitória tinha não um mas três presidentes, referindo-se a si próprio e ao “triunvirato” que formava com Paulo Pereira e Manuel Almeida. Contudo, desse trio de presidentes só resta um, que se mantém silencioso quando questionado sobre o afastamento dos outros, pessoas que, supostamente, mereceriam a sua total confiança.

Alguns poderão afirmar que a ocasião própria para este tipo esclarecimentos é a Assembleia Magna, e sei também que terá que ser convocada uma para que os sócios “aprovem” a demissão. Mas como poderão os sócios aprovar algo que desconhecem? Como poderão os sócios legitimar uma demissão quando desconhecem os motivos que a originam? Terão os sócios ficado contentes ao ver Manuel Almeida atacar tudo e todos, a mandar recados ao treinador e Director Desportivo e a dizer que não teve qualquer prazer em trabalhar com o “Sr. Milo”? Claro que não! Da mesma forma que não ficaram satisfeitos quando constataram o silêncio e a passividade de alguém que começa a ser atacado por todas as frentes. Quem é atacado, defende-se, se puder. Emílio não contra-atacou! Resta saber se não quer, o que seria lamentável, ou se não pode, o que seria mais lamentável ainda.

Não serve esta crónica para enaltecer qualquer atitude do “vice” demissionário. Bem pelo contrário. Manuel Almeida não teve qualquer reserva em apontar aquilo que para si seriam problemas. No entanto, fê-lo de forma despropositada, infundada e volátil, deixando no ar meras suspeitas que carecem de explicação. A sua atitude, ao expôr possíveis desentendimentos internos à comunicação social de ânimo leve, é merecedora da nossa repreensão e condenação, visto ter apenas contribuído para o escalar do clima de instabilidade que já se sente por Guimarães. Esta atitude, típica das comadres que se zangam, não é de todo admissível a alguém que se propôs a defender unicamente os interesses do clube. Mas como diziam os antigos, é com o passar do tempo que se conhecem verdadeiramente as pessoas, e Manuel Almeida já nos terá dado oportunidades suficientes para que o possamos conhecer, e bem.

O que é certo é que a vida não pára e não se compadece com paragens. Enquanto Manuel Almeida não emite o tal comunicado e Emílio Macedo não reage às provocações de que foi alvo, o que é facto é que o futebol do Vitória começa a sua incursão por uma fase que se revelará decisiva para que possa atingir as metas a que se propôs. Polémicas à parte, o jogo hoje com o Benfica é importante, pois poderá carimbar o acesso à final de uma competição que poderá ajudar a “tapar o buraco” dos cofres vitorianos e poderá fazer cair por terra a tradição de perder com o Benfica, que já começa a incomodar. Seguidamente entraremos num “mini ciclo infernal”, onde enfrentaremos os mais directos adversários na luta por um lugar “europeu”. Sendo que o Marítimo é uma equipa em boa forma, as deslocações ao terreno do Nacional são tradicionalmente difíceis. O Estrela, apesar das falta de capital e das polémicas em que está envolvido, é também uma equipa aguerrida, que pratica bom futebol e certamente venderá bem caro o acesso às meias finais da Taça de Portugal, este ano Taça Millenium. O rival da cidade dos Arcebispos é também um adversário a ter sempre em conta. Possuem uma belíssima equipa e as suas exibições têm sido bastante melhores do que aquilo que os resultados deixam antever. A verdade é só uma, e é para ser dita, por mais que nos custe a admitir.

É essencial isolar o plantel de futebol profissional e os seus responsáveis técnicos de todas estas polémicas, sob pena de o seu rendimento se ver afectado por todas estas variáveis indesejáveis. Não tenho dúvidas nenhumas que o ideal seria manter um espírito de total serenidade em torno do clube e tenho a certeza que tal será conseguido. No entanto, e tendo em conta os pressupostos democráticos da eleição desta direcção, a mesma não se pode demitir do dever do esclarecimento dos que a elegeram e da manutenção da tão propalada transparência, sob pena de reavivar fantasmas de um passado que é mais recente do que se julga.

Esperemos sim, que estes tempos conturbados possam passar, e que os sucessos desportivos acabem por chegar a Guimarães.

Até lá, tenho a certeza que continuaremos, enquanto sócios, a apoiar com toda a convicção aqueles que trabalham e se esforçam em prol do clube, dia após dia. Não devem eles, contudo, esquecer-se de quem tanto os apoia, incondicionalmente e sem ganhar um tostão com isso.

Manuel Aspinall

Guimarães, 4 de Fevereiro de 2009

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“Velhos do Restelo”


Perante um estádio despido de adeptos, o nosso Vitória consegui dar mais um passo rumo ao hipotético cumprimento daquilo que o corpo de directores do clube considerou como uma das metas a atingir, ou seja, uma boa prestação na recém-nascida Taça Carlsberg, vulgarmente denominada de Taça da Liga.

Perante um Olhanense notoriamente mais fraco, foi a nossa equipa capaz de concretizar três oportunidades de golo, mesmo jogando sem avançados, oportunidades essas que, juntamente com o quadro favorável de resultados, carimbaram a passagem do nosso clube às meias-finais da prova. Até aqui tudo bem… até que um blogue afiliado a adeptos da Briosa resolveu entornar o caldo, trazendo de novo a polémica para o seio do nosso futebol.

Após se ter constatado que o “estrangeirismo” utilizado na descrição dos critérios de desempate permitia um vasto leque de interpretações (aonde é que eu já vi isto?), multiplicaram-se as reacções. Os clubes envolvidos terão solicitado explicações quanto ao referido regulamento, tendo a Liga de Clubes sido célere na sua tentativa de dissipação das dúvidas. A resposta do organismo dirigido por Hermínio Loureiro não podia ser mais esclarecedora: poderia ter existido uma pequena displicência por parte do belíssimo profissional que redigiu o regulamento, no entanto, aquilo a que esse iluminado chamou de “Goal Average” seria inteligível como “Goal Diference”, tendo em conta os regulamentos da UEFA e da própria FIFA, que desde 1970 não adoptam o cálculo de médias para apurar quem passa e quem fica pelo caminho.

Ao decidirem impugnar a realização das meias finais, os responsáveis do Belenenses resolveram ignorar aquele que é um dos lugares comuns do futebol moderno, preferindo refugiar-se “à mà fila” num argumento que já tem barbas, devido aos 39 anos de atraso com que é invocado. Relembrando o historial recente desse clube no que a protestos diz respeito, posso também concluir que os senhores de Belém são já useiros e vezeiros neste tipo de práticas. Fizeram-no com o Gil Vicente, ditando a sua descida de divisão, tentaram fazê-lo com o Boavista e o Vitória preparava-se para ser a próxima vítima de mais um acto de má fé perpetrado por essa gente.

Ao fazer finca-pé na sua posição, sem admitir que possa ter existido uma gaffe na elaboração do regulamento da prova, o Belenenses não só vem reafirmar a sua posição de clube conflituoso, como também ignora com toda a veleidade aquilo que é um ponto assente a nível internacional, o facto de que os desempates devem ser decididos pelas diferenças nos marcadores e não por um qualquer coeficiente calculado de maneira falaciosa. Ao fazê-lo, o Belenenses está a ir contra uma deliberação da própria FIFA, que, para quem não sabe, é responsável pela regulamentação de todo o futebol, a nível mundial.

Foi também com surpresa que li as declarações do Sr. Meirim, especialista destas matérias, que se pronunciava de forma favorável às pretensões do clube da capital, referindo que apesar da subjectividade com que se poderia interpretar o texto, nenhuma interpretação alternativa, por mais lógica que fosse, se poderia sobrepor ao que está textualmente expresso na lei.

Quando me recordo da polémica que envolveu o acesso à Liga dos Campeões, vem-me à ideia de que o regulamento da prova impedia que qualquer clube acusado de corrupção, mesmo que na forma tentada, seria impedido de participar na prova. A lei escrita assim o diz. Contudo, este e o outros senhores desfizeram-se em argumentos para desculpar o indesculpável, ignorando as condenações anteriores do Conselho Disciplinar da Liga. Será que depois de tais façanhas, terão estes senhores alguma legitimidade para que as “leis da bola” sejam interpretadas de forma estritamente literal?

Valente pontapé na lógica, hein, Sr. Meirim?

É por estas e por outras que o nosso futebol está como está. Podre por dentro e podre por fora!

Manuel Aspinall

Guimarães, 23 de Janeiro de 2009

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