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José Marinho abandona o Vitória


Comunicado

A Direcção do Vitória SC comunica aos sócios e adeptos do Clube que o Director de Comunicação, José Marinho, desde hoje, deixou de exercer as funções para as quais tinha sido contratado.

As razões para este desfecho são pessoais e familiares do próprio José Marinho e alheias à vontade desta Direcção.

Cumpre igualmente informar que a Direcção deliberou que a solução futura para o cargo foi encontrada internamente, através do seu profissional Duarte Magalhães.

Ao profissional e cidadão José Marinho, a Direcção do Vitória deseja as maiores felicidades pessoais, registando com pena a sua impossibilidade de continuar a exercer as funções de Director de Comunicação.

A Direcção do Vitória Sport Clube

De seguida relembramos a entrevista realizada aquando da entrada de José Marinho para o Vitoria :

Entrevista com José Marinho

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Entrevista com José Marinho


A rubrica “Orgulho Branco” está de volta e desta vez com um nome de peso, José Marinho.
O novo Dir. de Comunicação Social do Vitória Sport Clube aceitou o nosso repto e respondeu às nossas perguntas.

Queremos desde já agradecer a atenção e disponibilidade dada por José Marinho.

Vamos então à entrevista.

José Marinho e o Vitória

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Quem é José Marinho?
Sou um profissional de comunicação, que foi jornalista durante mais de vinte anos, com vários prémios de carreira e com a satisfação de um dever cumprido. Durante todo esse tempo, por onde passei pela antiga Rádio Comercial, pela RR, pelo Primeiro de Janeiro, pela Rádio Press, pelo jornal O JOGO, pela TVI e pela Sporttv, fiz sempre o que mais gostei. Estive em teatro de guerra, duas vezes, estive nuns Jogos Olímpicos, num Campeonato do Mundo de Futebol, num Europeu e em várias outras situações em que me realizei profissionalmente. Nos últimos anos fui assaltado por uma crescente desmotivação, porque entre mim e o jornalismo, actualmente, são mais as coisas que nos separam do que as que nos unem. Foi por isso que investi nos livros e publiquei alguns e vou continuar a fazê-lo no futuro, porque é uma coisa que me realiza e me completa.

Como veio parar ao Vitória?
Cheguei ao Vitória por indicação do actual treinador, Manuel Cajuda. Foi ele que me informou da necessidade do clube em melhorar toda a área de comunicação. O contacto seguinte estabeleci-o com o presidente do clube, a quem expliquei as ideias que tinha e que mantenho sobre comunicação e a possibilidade de as aplicar no Vitória. Entre o que o clube pretendia e o que eu tinha para oferecer criou-se um denominador comum e fez-se um contrato. Por mútuo acordo, estipulámos que a duração do contrato seria de um ano. Eu não sou e nunca fui um fardo para ninguém. Ao cabo de um ano, juntámo-nos e voltaremos a decidir. Se estiver tudo bem, continuámos juntos, se estiver alguma coisa mal, iremos cada um para o seu canto. A minha expectativa é que esteja tudo bem, porque estou muito a gosto no clube.

Sabemos que antes de assinar pelo Vitória esteve perto da U.Leiria e do Braga, o que falhou?
O que falhou no Braga não interessa a mais ninguém a não ser a mim e ao senhor António Salvador. Falhou, está falhado. Como diz um amigo meu, Deus fecha uma porta e abre uma janela. E assim sendo, Graças a Deus estou no Vitória, estou bem, a minha família está bem e estamos todos muito motivados. Em Leiria não falhou nada. Fui convidado pelo presidente do clube para assumir uma determinada posição na SAD, mas que ficou sempre dependente de um aumento de capital que até hoje não se realizou. Tenho a dizer que jamais esquecerei a forma como fui tratado pelo senhor João Bartolomeu. E tive outras possibilidades que vou manter para mim.

Porquê o Vitória?
Porque é um grande clube, porque tem uma massa associativa com um coração enorme. Alguns amigos meus aconselharam-me a ficar em casa, porque a imagem que têm é o de um clube com uma relação difícil com os adeptos. Sinto-me cada vez mais tentado a demonstrar que alguns desses meus amigos estão enganados. Em pouco mais de um mês de permanência em Guimarães, sinto que Deus foi, mais uma vez, generoso comigo e com os meus filhos. Só pode ter sido ele a colocar o Vitória no meu caminho.

Sente-se incomodado pelo facto de ser “lampião” e trabalhar num clube “rival”?
Veja bem. Eu tenho a obrigação de estar suficientemente treinado para não me sentir incomodado. Durante mais de vinte de anos, no exercício das minhas funções de jornalista, eu sempre disse: “O meu clube é o clube dos jornalistas”. Fora do exercício das minhas funções ninguém tinha nada a ver com o facto de ser benfiquista ou de não ser. Alguém de bom senso acha que, agora, num jogo entre o Benfica e o Vitória eu vou torcer pelo Benfica? O que é que interessa tanto às pessoas saber se sou benfiquista ou não? Acho que deviam tentar saber se sou competente naquilo que faço ou não. Aqui o que interessa saber é se o dinheiro que o Vitória gasta comigo é um custo ou um investimento. Esta é a grande mudança de mentalidades que é preciso fazer nos clubes portugueses em matéria de comunicação. Se for bem feita, a comunicação é um investimento, não é um custo.

Consegue separar o lado emocional do lado profissional?
A resposta a esta pergunta está dada na anterior. Claro que sim. Há mais de vinte anos que o faço.

Como via o Vitória à três meses atrás?

Via-o como um dos maiores clubes portugueses. Via-o como um dos clubes com maior potencial de crescimento. Via-o como um clube onde apetecia muito trabalhar. E agora vejo-o exactamente na mesma. Apenas lhe acrescentando um pouco mais de convicção no que faço e paixão no que sinto.

O melhor e o pior do Vitória na sua opinião?
O melhor é quase tudo. O pior é quase nada. E o melhor e o pior tocam-se numa única palavra que o define. Grandeza. É a grandeza dos melhores clubes. Quando tudo corre bem é o alimento espiritual do clube e dos adeptos. Quando alguma coisa corre mal, essa grandeza vira-se contra nós. Mas é assim em todos os grandes clubes. No Vitória, a relação muito próxima entre o clube e os adeptos é que torna essa grandeza muito especial.

O que sentiu quando entrou no D. Afonso Henriques pela primeira vez como Dir. Comunicação Social?
Foi na noite de apresentação e senti arrepios. Sobretudo na apresentação de um vídeo alusivo à subida de divisão. E tocou-me bastante o cântico do “Vitória até morrer”. Brutal.

E em jogos oficiais?
Em jogos oficiais foi com o Basileia. A experiência e as emoções foram praticamente as mesmas.

Projectos

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Quais são os seus principais projectos e quando os pensa implementar?
Os principais projectos passam todos eles por atingir maior projecção – nacional e internacional – para o clube. Tenho as minhas ideias e a direcção tem sido impecável na forma como as vai apoiando. Gostaria de implementar o projecto do Vitória TV – uma espécie de televisão online – mas para isso temos de concluir o novo projecto de site. Mas há mais novidades que estão a ser preparadas. Iniciámos a revista do “matchday program”, distribuida gratuitamente aos sócios e adeptos do clube, nos dias dos jogos em casa, apenas no campeonato.

Para quando o novo site oficial?
Tivemos um problema com o actual que atrasou o processo. Mudámos a empresa que faz a manutenção do site, mudámos o servidor, tivemos problemas de alguma dimensão para resolver. Mas mudámos, decidimos e vamos tocar em frente. Queremos um site de referência, um site que seja motivo de orgulho para os vitorianos. Por agora, o que posso fazer é manter o site actual permanentemente actualizado e com novos contéudos. Esta é a parte que consigo controlar, a outra, já não consigo controlar tanto, porque estamos a trabalhar num novo site. Não é a remodelação do actual, é mesmo um novo site construido de raíz. E a ideia de todos os que estão a trabalhar nele, é que seja um site grandioso. Já vimos uma parte importante do layout e acho que daremos uma enorme e boa surpresa aos sócios e adeptos. Mas não me comprometo com datas, porque há muita coisa a fazer antes de o colocar online.

O que podemos esperar dele?
Podemos esperar surpresa, orgulho, ilusão e um brilho especial. O novo site foi o primeiro assunto que ataquei quando aqui cheguei. Percebi rapidamente que o Vitória tinha de ter um site diferente. E tentaremos que o novo tenha novas funcionalidades que num clube como o Vitória são quase obrigatórias. A loja online é primordial.

Afinal, o jornal “morreu” ou não?
O jornal não morreu, porque vai continuar a viver dentro de outros projectos. Já falei do “matchday program” e posso assegurar que a direcção está empenhada em descobrir novos conteúdos e novos formatos que possam oferecer qualidade e ilusão aos sócios. Antes do final do ano teremos novidades e penso que todos gostarão delas. Agora o jornal, tal e qual o conheciam, por agora não será editado. Francamente acho que um clube como o Vitória deve evoluir noutro sentido e para formatos mais modernos e de qualidade superior.

Blogosfera Vitoria

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O que pensa da blogosfera vitoriana?
O que penso de todas as blogosferas. Todos os que assinam com o seu nome tudo o que escrevem, merecem o meu respeito. Todos os que se escondem atrás de um computador, não vale a pena perder tempo com eles.

Considera-os rivais do site oficial ou como fonte de inspiração?
Nem uma coisa nem outra. São mundos completamente diferentes. A blogosfera pode permitir-se abusar da especulação, do rumor e até da má-fé. Um site de um clube não pode.

Está no seu horizonte “parcerias” com esses sites/blogs? Se sim, diga-nos de que forma.
No meu horizonte estão parcerias com autores que tenham qualidade e disponibilidade para colaborar connosco. Se pertencem ou não à blogosfera não será um critério de avaliação. Mas também sei que há boa blogosfera e má blogosfera, como há boa imprensa e má imprensa. Mas como lhe digo, não tenho pudor nenhum em colaborar com membros da blogosfera, desde que isso signifique que o clube sai enriquecido dessa parceria.

O que o levou a responder de uma forma “dura” a um bloguista?
Fazer a defesa de um amigo meu. Esse senhor, a mim, já me associou a tudo e mais alguma coisa. Só falta mesmo associar-me à máfia siciliana, mas não estou livre disso. Eu fui tolerando isso, embora não compreenda o motivo pelo qual me ataca tanto sem me conhecer sequer. Ele julga-se uma espécie de Rui Santos da blogosfera vitoriana e eu sou o seu Scolari. Agora, já não tolero, nem tenho que tolerar que ele insinue que a mensagem de Mourinho tenha sido obra de uma qualquer malfeitoria combinada entre mim e o treinador do Inter. Quem é que ele pensa que é? Por acaso, tratou-se de uma iniciativa que fez mais pelo Vitória e pelo nome do clube do que ele fará em toda a sua vida pelo clube. Por isso aproveito esta ocasião para dizer que, em relação a esse senhor, acabou o tempo de antena. Escreva o que escrever, a resposta que terá, será zero. Mas olhe, até foi bom, para ele encher a caixa de comentários por uma vez na vida.

Fê-lo em nome pessoal ou como Dir. Comunicação do Vitória SC?
Fi-lo em nome pessoal, como estou a fazê-lo agora. Como director de comunicação do Vitória jamais o farei. Essa vitória moral nunca lha darei. Nem a ele nem a ninguém.

Resta-nos desejar um bom trabalho a José Marinho e um obrigado.

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