
Lembro-me de, numa crónica que escrevi por volta do mês passado, ter demonstrado o meu agrado pelo “novo” Vitória, agora comandado por Paulo Sérgio. Na altura em que escrevi a crónica, após o jogo com os “verdes” de Alvalade, era já notória alguma evolução na equipa e nos mecanismos que a mesma utilizava para fazer circular a bola de forma eficaz entre os vários sectores da equipa. Passados dias da publicação da mesma crónica, eis que sofremos mais uma derrota, desta feita em Coimbra, frente a uma equipa da Académica que também procurava encontrar um novo rumo que lhes permitisse escapar ao sufoco inerente às ultimas posições da tabela classificativa. Confesso-vos que à medida que fui assistindo ao desenrolar da partida fui temendo pelo pior. Dei por mim a pensar que, invariavelmente, iria ter que engolir os elogios por mim proferidos, como quem engole sapos.
Felizmente, os aprontos que se seguiram encarregaram-se de não me retirar a razão e ainda bem! Após três jogos “a doer”, que correspondem a igual número de vitórias, as melhorias são evidentes e estão à vista de todos. Como que por magia, a equipa parece ter mudado da noite para o dia, mostrando uma atitude, garra, qualidade técnica e vontade de vencer que julgava irremediavelmente perdidas. Após os bons resultados contra o arqui-rival Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Benfica, podemos com orgulho dizer que o verdadeiro Vitória está de volta, que está aqui para as curvas, e que não só está bem como se recomenda!
No entanto, e esquecendo agora por momentos as matérias estritamente desportivas, nem tudo vai bem no Castelo Vitoriano. Aliás, se tudo estivesse bem, até o próprio Belzebu se ria!
Foi com alguma surpresa que soube que estamos prestes a ser processados junto da Fifa por um clube de nome “12 de Octubre”. Por momentos fiquei intrigado acerca dos motivos que motivariam tal acção por parte de um clube que não me recordo de ver relacionado com o meu Vitória. Desde quando é que nos relacionamos com clubes Paraguaios de origem duvidosa? Após ter colocado tal questão a mim mesmo, resolvi remexer no meu arquivo de memórias e lá me recordei que, realmente, existiria por cá um certo jogador que era oriundo de tais paragens. Falo-vos, obviamente, do também Paraguaio Mendieta, lateral esquerdo contratado pelo Vitória durante o defeso. Sim, o tal que dizem que é bom rapaz, que marca bem os livres, mas que infelizmente nunca ninguém viu a jogar!
Parece certo que, durante o verão, ambos os clubes teriam chegado a acordo relativamente à transferência do “levezinho” Mendieta para terras minhotas. Também é certo que o mesmo jogador foi apresentado por Emílio Macedo, nosso digníssimo Presidente, com toda a pompa e circunstância, como um dos reforços do plantel Vitoriano para a época que agora se disputa. Também parece certo o facto de o jogador não servir os interesses do Vitória, visto ainda não ter alinhado pela equipa principal do Vitória num jogo “a doer”, por um único minuto que seja. O que é uma certeza daquelas mesmo inabaláveis é o facto de o clube “fornecedor” ainda não ter recebido um cêntimo sequer do valor que foi acordado pelas partes, valor esse, julgo eu, devidamente cabimentado e orçamentado no rol de despesas que o clube teria que enfrentar na presente época.
Todas estas “moscambilhas” e “trocas e baldrocas” merecem uma explicação, pois não nos podemos dar ao luxo de ver o nome do nosso Clube ser arrastado na lama, acusado de não honrar os compromissos que celebra . O que também merecia um esclarecimento, e este sim, cabal, é a já célebre e famigerada política de contratações levada a cabo pelo clube e pelos seus directores desportivos, que ontem se demitiam e hoje já não. Que tipo de negócios andam esses senhores a fazer? Porque raio se endividam em mais de 200.000€ para recrutar um jogador que não joga e que ainda por cima se encontra visivelmente aquém dos padrões físicos exigíveis para a prática de um desporto de alta competição como o futebol? Quem fez este negócio? Quem definiu os critérios de avaliação e quem é que deu o aval para a contratação deste suposto atleta que é tão bom, mas tão bom mesmo que nem sequer é convocado para jogar? Que tipo de gente é esta que nos endivida para adquirir Mendietas, Santanas, Milhazes e afins? Que tipo de gente é esta que, depois de (não) gastar meio milhão de euros em laterais esquerdos que não jogam, ainda tem a distinta lata de anunciar que quer adquirir mais um defesa canhoto no mercado de Inverno? Que negócios são estes, que gente é esta e o que ganham eles com isto?
Esta é a prova de que o Vitória é mesmo um grande clube dirigido por gente pequena e provinciana, gente que abdica da seriedade e do profissionalismo negocial para se dedicar a tempo inteiro à “chico-espertice” que teima em reinar por este país fora. O Vitória é um grande clube que está a ser gerido como uma mera mercearia, onde há livro de calotes e onde a comprar e vender fiado são uma constante do dia a dia.
Pode haver quem encare estas coisas de ânimo leve e se esteja a borrifar se deve ou se não deve, se é chamado de caloteiro ou não, se a FIFA está ao corrente ou não. Eu não penso assim e tenho a firme certeza que a esmagadora maioria dos Vitorianos também não. Dívidas são dívidas e os compromissos são para ser cumpridos, custe o que custar, doa a quem doer.
Espero sinceramente que esta e outras situações sejam devidamente lembradas e equacionadas quando formos chamados a decidir o nosso destino, em Março do ano que vem. Para o bem do Vitória, única e exclusivamente, e de mais ninguém!
Saudações Vitorianas.
Manuel Aspinall
Guimarães, 26 de Novembro de 2009.
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