Arquivo de Nuvens | "Defesa ao Ataque"

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Contas Finais


Caros amigos vitorianos acabou, agora de uma forma efectiva, um campeonato que para nós, e tal como já aqui o tinha referido, já havia terminado há umas semanas atrás! Segurámos um pouco digno oitavo lugar, portanto a meio de uma tabela classificativa de uma Liga Portuguesa de Futebol que como sabemos tem a sua qualidade nivelada por baixo. Ou seja, para o Vitória Sport Clube terminar a meio da tabela, na minha opinião, é o equivalente a dizer que fizemos um campeonato fraco e desinteressante! Até porque, desde que temos dezasseis equipas na Primeira Liga, a competitividade tem vindo a decair, uma vez que só descem duas equipas, e com um plantel apenas razoável se consegue fazer um campeonato para não descer!

A nível global esta época a Liga Portuguesa foi melhor do que a época transacta, mais competitiva, com mais luta até final nos respectivos focos de interesse (competições europeias, luta para não descer e até mesmo para ver quem seria campeão)! No entanto, os números oficiais vão assustando, com destaque para cada vez menos espectadores nos estádios, para o acentuar da tendência de se marcarem menos golos, e, claro, os já tão badalados salários em atraso!

No que respeita ao nosso Vitorinha, como é fácil de perceber, esta época foi um logro, uma vez que se “tentou vender” a ideia de que teríamos uma equipa mais forte do que o ano passado, o que nós aqui desde o inicio soubemos desde logo desmentir, pois parecia-nos claro que este plantel vimaranense estava uns “furos abaixo” do que havia ficado no terceiro lugar! Semanalmente fomos confirmando as suspeitas, e terminamos num oitavo lugar, atrás, por exemplo, de uma Académica, que é uma equipa relativamente fraca!

É para mim muito claro que duas situações têm de mudar no nosso clube, se efectivamente queremos lançar-nos num rumo de sucesso contínuo, e não intermitente, como tem sido! Primeiro, a política de aquisição de jogadores tem de ser francamente alterada, no sentido de ser mais criteriosa, mais direccionada para o mercado nacional e, vou continuar a bater-me por isto, apostando na “prata da casa”, nos jovens que por nós são formados! Segundo, tem de haver em Guimarães uma sensibilidade especial nesta altura de crise, que como sabemos nos tem afectado bastante, e de uma forma séria e responsável, a Direcção do Clube tem de desenvolver incentivos para que os adeptos possam continuar a ir ao estádio! Bilhetes de família, redução de preços, descontos para quem vai mais vezes, o que bem entenderem! Agora façam é alguma coisa em relação a esta temática, porque de outra forma vão começara ver o estádio menos composto!

De uma vez por todas, caros vitorianos, tenhamos o bom senso de fazer atempadamente estas mudanças, para que no próximo balanço, em 2010, não tenhamos de sublinhar novamente estas situações, e possamos estar mais “concentrados” em festejar uma época de sucessos… Façamos por isso!

PS: Barcelona campeão europeu à custa de de um dos principios mais básicos do futebol, e tantas vezes esquecido pelos treinadores, a “posse de bola”… Só quem tem a bola pode jogar! E como eles sabem…

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Grandes verdades sobre coisa nenhuma!


Sempre que ouço o Presidente do nosso Clube falar me recordo desta “frase batida”, como dizia Sérgio Godinho, que entitula a crónica, pois a substância do seu discurso roça um irritante e redundante vazio!

A última intervenção, de que tive conhecimento, foi para mim a gota de água, a prova inequívoca que o Senhor Emílio Macedo da Silva é um erro de casting como Presidente do Vitória Sport Clube. Numa entreviste à Rádio Santiago disse, e passo a citar: “A minha maior mágoa foi o Alan não ter ficado, porque o Luís Filipe não conseguiu colmatar a sua saída, nem de longe nem de perto (…)”. Portanto, e só para nos situarmos sem qualquer margem para equívocos, o Presidente do Vitória critica fortemente um jogador do clube antes de a época terminar, e não satisfeito ainda elogia um jogador de um clube rival… Muito bom acto de gestão desportiva! Parabéns, ou então não!

Não sei se é perceptível a gravidade de uma declaração destas para um grupo de trabalho, é que não só desmotiva irremediavelmente um jogador nosso para o que falta do campeonato, como deixa os outros “de pé atrás” em relação a quem os comanda! Pior, claro, só motivar um jogador rival, cujo clube compete pelos mesmos objectivos que o nosso! Se tiver que se julgar o Luís Filipe será no final da temporada, porque, bem ou mal, enquanto cá estiver é dos nossos! Se falar é para motivar, não o contrário!

Com tudo isto, não quero dizer que tenha alguma coisa contra o Senhor Emílio Macedo da Silva, de certeza é tanto ou mais vitoriano do que eu, e que está a fazer o melhor que pode e sabe pelo clube! O problema é que não chega e não serve!

Às vezes eu sei que não é fácil tomar estas posições mais extremadas, escrever sem recorrer ao eufemismo para suavizar as palavras, mas também quem é “ovelha sem rebanho” tem esta independência para assumir, sem complexos, o que pensa, por mais controverso que seja. E o que penso é que esta Direcção deve terminar o seu mandato e dar lugar a outra que tenha mais capacidade para liderar os destinos (tarefa árdua, reconheço) do nosso amado clube.

PS: A arbitragem em Portugal está uma vergonha sem precedentes! O mais escandaloso é que “quem mais chora é quem mais mama…”, senão vejam diariamente as capas dos jornais, até parece que só há erros de arbitragem contra os chamados três grandes! Coitadinhos, até mete dó! Não sei se são piores os árbitros se os jornalistas!

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Realidade à Parte


Depois de um período sabático forçado, por razões diversas que não interessa agora escalpelizar, a minha crónica está de volta! Volta o futebol a correr-me nas veias e a driblar para o papel… O desafio é o de sempre: ver se ainda marco uns golos com as palavras!!!

O tema que lhes gostaria de falar esta semana, amigos vitorianos, é a monotonia competitiva que o campeonato português ameaça transformar-se, em face da supremacia futebolística do Futebol Clube do Porto! Não é fácil encarar esta realidade de ânimo leve, mas é uma evidência de tal forma palpável que não adianta muito escamoteá-la! Os portistas estão numa realidade à parte!

A Liga Portuguesa não só tem perdido competitividade nas últimas temporadas, como tem visto o seu interesse decrescer (com total impavidade dos responsáveis) face à indubitável hegemonia que o FCP apresenta! É que já nem os outros “ditos grandes” lhe fazem sombra, muito menos as restantes equipas em prova! Portanto, e como diziam os outros senhores, ou isto da “uma grande volta (…)”, ou começa a ser redundante, para não dizer ridículo, jogar-se uma competição que já se sabe quem vai ganhar!

Benfica e Sporting são candidatos ao título, se correr bem, até meio do campeonato, a partir daí começa o já famoso “campeonato da Segunda Circular”… Depois é só ver quem é a equipa surpresa da época (no ano passado fomos nós, claro!) e quem desce de divisão! E pronto, está resumida a Liga, vendo bem as coisas, há mais emoção no torneio de sueca lá do bairro!

Qual o papel do nosso Vitória neste argumento que parece já escrito para todos os anos? Seremos apenas figurantes (como esta temporada), ou podemos ser actores principais (como fomos na época passada)? Não é uma resposta fácil, mas a minha opinião é a de que temos rapidamente de aprender a representar, para lutarmos pelos papéis principais, e não estar à espera a sorte nos caia do céu! Já o disse, e reafirmo-o: O lugar do Rei é no trono! É pedir muito? A vontade cria superação!

Os responsáveis da Liga que atentem bem o que se passava em Inglaterra à vinte anos atrás, e no fenómeno em que se tornou a Premier League! Não é errado copiar os bons exemplos, é inteligência! Vejam quem são os semi-finalistas da Champions League!

PS: Vem aí a discussão pública do futuro do nosso Vitorinha, e como diz uma grande amiga minha: “agora é que vamos ter a burra nas couves!”…

Discutam-se os problemas, claro, mas mais para arranjar soluções do que culpados!

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O Medo do Sr. Cajuda!


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“Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele”! Se o Sr. Cajuda não estivesse cheio de medo de perder com o Braga, não jogava com aquela táctica!

Caros amigos Vitorianos, que mensagem passa um treinador à sua equipa quando altera a táctica (para uma mais defensiva) de propósito para um jogo? Sem rotinas, sem treino adequado, sem sequer mostrar segurança no que decide? Uma equipa com três centrais e sem avançado, que ideia transmite aos jogadores? A resposta, infelizmente, é uma só: MEDO!

Atentem só na diferença de mentalidade do treinador do Braga em relação ao treinador do Vitória! O Sr. Jesus jogou com dois pontas de lança (Paulo César e Renteria), acompanhados por um jogador nas costas (Luís Aguiar), secundados pelo Alan na direita e o César Peixoto na esquerda! Por seu turno, o Sr. Cajuda jogou sem ponta-de-lança, com dois médios defensivos e três centrais! Lá andamos nós a jogar para o pontinho! Esta mentalidade não se coaduna com a grandeza do Vitória Sport Clube!!! Faça favor de entender, Sr. Cajuda!

É claro que correu mal! E depois para tentar “lavar a cara”, o treinador do Vitória retirou o Danilo, (que estava perdido em campo), e colocou o Roberto, que já devia estar a jogar de inicio, tal como se provou pela melhoria do rendimento da equipa! Conseguimos logo de seguida criar perigo, e só por pouco não marcamos até ao intervalo! Na segunda parte dominamos o jogo, mas deixamos que os bracarenses o controlassem, e assim se “escreveu” mais uma derrota na Liga! A terceira seguida, e conseguindo essa “proeza distinta” de estar mais próximo dos lugares de descida, do que dos lugares de acesso à Taça UEFA!

Onde Manuel Cajuda esteve bem, foi, finalmente, ao assumir que esta época foi mal planeada, com a constituição de um plantel desajustado das necessidades do clube, e com escolhas de jogadores muito pouco certeiras! Já era tempo de fazer este mea culpa, e assumir a sua quota-parte dos erros cometidos! Assim a Direcção lhe siga o exemplo!

PS: Vem aí uma série de jogos muito complicada, pelo que ganhar ao Belenenses não é só importante, é fundamental! Até para afastar fantasmas recentes!

PS2: Dois dos treinadores do momento em Portugal já passaram por Guimarães, mas com passagens curtas! Falo, claro, de Manuel Machado e Jorge Jesus! É diferente a pressão e a exigência num clube grande!

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Cem Anos de Solidão!


Sempre que observo a expressão facial que o treinador do Vitória apresenta, de há uns tempos para cá, vem-me à memória o título desta obra fabulosa de Gabriel Garcia Marquez! Manuel Cajuda traz “cem anos de solidão” no rosto!

No fundo, Guimarães por estes dias está com um ambiente ainda mais trágico que a mítica aldeia de Macondo, onde se desenrola a acção do livro do escritor colombiano! Tudo parece acontecer à família vitoriana, assim como à família Buendia, onde em cem anos de narrativa todos os azares e desventuras do mundo lhes pareciam bater à porta! É certo que também estou a exagerar um pouco, mas esta época desportiva, para o futebol do Vitória, fica marcada por uma série de azares, infortúnios e contrariedades que parecem tiradas do “realismo mágico” da escrita de Garcia Marquez! E vejo então, no rosto de Cajuda, sintetizada toda esta realidade!!!

Tenho a certeza que se contasse tudo que lhe vai na alma, o Sr. Cajuda também podia escrever um livro. Claro que não teria a dimensão poética da obra de Garcia Marquez, mas certamente teria a sua dose de tragicidade, bem como algumas realidades que até superariam a ficção! A situação que está a passar certamente terminará no final da época, pois não acredito que o treinador algarvio continue em Guimarães! Já são demasiadas querelas com a Direcção, muitas não por sua culpa, mas outras também onde “pôs o pé em ramo verde”, expondo-se demasiado! É a famosa “faca de dois legumes” do Jaime Pacheco!!!

O jogo com o Braga que se avizinha é só mais uma prova de fogo, onde os jogadores, treinadores e direcção do VSC têm dar a volta a esta narrativa negra e lúgubre que têm sido as exibições da equipa! Sob pena de Guimarães se transformar irremediavelmente numa Macondo, onde deambulam fantasmas esquecidos, condenados aos seus famigerados “Cem Anos de Solidão”!

PS: Pesa-me a alma de utilizar uma obra tão bela, para comparar com uma situação tão triste! Fica a homenagem ao grande Gabriel Garcia Marquez…

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Criticar a “crítica”!


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Existe, em Portugal, a opinião generalizada de que uma “crítica” é, necessariamente, dizer mal de algo, o que é profundamente errado! Uma crítica é um comentário, uma análise apreciativa acerca de um facto, um acontecimento, uma obra ou um objecto! Não tem que ser vinculativamente depreciativa, ao contrário do que se generalizou na opinião pública portuguesa, e, deve, isso sim, ser construtiva!

Se porventura ao se efectuar a crítica tiver que se fazer uma apreciação desfavorável, que seja no sentido de se conseguir uma melhoria efectiva, e não só para “dizer mal”…

Por vezes, reconheço, sou bastante feroz nas críticas que elaboro sobre o nosso Vitória, mas o fundamento dessa “ferocidade” advém da assumida falta de imparcialidade na análise! Um crítico necessita de “distanciamento” para não ser parcial, e isso não é possível pela relação de paixão que tenho com o Vitorinha e com a Cidade de Guimarães! As minha “críticas” regem-se pela exigência!

Análises críticas só para dizer mal e disparar em todas as direcções, só para ser polémico e ter tempo de antena, já têm o Rui Santos na Sic Noticias! A mim não me apanham nesses propósitos! Nem com gravatas cor-de-rosa!

O Vitória Sport Clube tem um historial bem vincado no futebol nacional, tem uma massa adepta como ninguém, todos sabemos, e por tudo isto só podemos aceitar uma cultura de exigência para o Clube. Não podemos aceitar que deixem que o Vitória se reja pela mediania, pelo meio da tabela, pelo “pontinho”, e muito menos que deixem que façam connosco o “discurso do desgraçadinho”!

A direcção do Vitória tem que ter um rumo financeiro e desportivo para Clube, com objectivos claros e metas palpáveis e realistas, trabalhando efectivamente para resolver os problemas. Deixar de estar sempre a queixar-se e mostrar trabalho, ou então assume que não tem capacidade e sai! Agora na situação de impasse é que não, pois desestabiliza estruturalmente o Clube e impacienta os adeptos!

O Sr. Cajuda tem de começar a ser mais coerente, adequar as acções que toma ao discurso que tem! Não pode refugiar-se no “black out” para escamotear as situações, falar só quando lhe convém, e acima de tudo, tem de fixar de uma vez por todas que é treinador do VSC! Com tudo que isso implica, social e desportivamente!

Aos jogadores do Clube só tenho uma coisa a dizer: aprendam depressa o privilégio que é jogar no Vitória, tudo que representa vestir a camisola branca! Em Guimarães as coisas ou se fazem a bem ou a mal, mas fazem-se! Lembrem-se disso!

Nós adeptos, críticos apaixonados da realidade do Clube, temos de apoiar sempre o Vitorinha, continuar a mostrar esta paixão única que sentimos, unanimemente!

Portanto, vejam aqui as minhas crónicas como análises apaixonadas de mais um adepto vitoriano, que nem gosta mais nem menos do Clube que os outros, apenas tem a possibilidade de expressar publicamente as suas opiniões!

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Murros na mesa!


“Se der um murro na mesa, ou parto a mão ou parto a mesa (…)”, disse numa entrevista Manuel Cajuda sobre a situação que vive no VSC. Pois eu digo-lhe muito claramente Sr. Cajuda, dê os murros que tem de dar e parta o que têm a partir… Há evoluções que só se conseguem com revoluções! Não tenha medo de ser guerreiro, pois está na terra certa para isso! Se hoje somos Portugal, é porque houve quem não se conformasse! Nunca serão demais as guerras, travadas por causas justas, e esta sua batalha parece-me plenamente justificada!

Ao que consegui perceber de toda esta situação, o nosso treinador não foi “tido nem achado” neste processo de contratação de reforços, agora na reabertura do mercado de transferências! O que a ser verdade, não é caso para dar um murro na mesa, mas partir a sala toda… No sentido figurado, claro!

A verdade é que vamos aqui reflectir no campo hipotético, uma vez que o nosso treinador não quis extravasar o que lhe ia na alma, indo até em sentido contrário, optando por entrar em “blackout”!

Assim sendo, para mim, só podem ser assacadas duas leituras de toda esta situação: ou temos um caso típico do dirigismo arcaico, que ainda se pratica com frequência em Portugal, onde a Direcção, nas costas do treinador, faz contratações como bem entende, neste caso mesmo desajustadas das necessidades do plantel; ou então tudo não passou de um mal-entendido, de uma má interpretação das palavras da entrevista de Manuel Cajuda! Mas se fosse esse o caso, um simples esclarecimento resolveria a situação, com Direcção e Treinador lado a lado, mostrando convergência de palavras, mas também de actos!

O problema é que tudo aponta que o que realmente se passou foi a primeira hipótese, e que temos Direcção e Treinador em braço-de-ferro, com a constituição do plantel vitoriano como “pano de fundo”!!! O que é duplamente grave, pois não só envolvem em dificuldade a já frágil situação da equipa, como não se concentram em melhorar cada vez mais o clube, numa lógica de crescimento sustentado!

Continua a ser um daqueles tabus inerentes ao futebol português, a falta de uma politica de transparência, com tudo a ser explicado clara e inequivocamente, não deixando margem para dúvidas e inquietações… Hábitos enraizados difíceis de mudar!!!

PS: Só estive uma vez no Estádio da Luz a ver futebol, e nesse único jogo vi o meu Vitorinha ganhar… É para manter! Eu vou lá estar!

Vamos lá ver se O SLB não continua a jogar com 14, como tem acontecido! Assim não será fácil!

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Talento vs Trabalho


Por vezes gosto de fazer um exercício de “tortura emocional”, que consiste em imaginar qual dos jogadores, Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, gostava de ver jogar no nosso Vitorinha! Não tenho sempre as mesmas conclusões, pois umas vezes deixo-me levar mais pela emoção, outras pela razão! Passo a explicar…

Do ponto de vista do espectáculo desportivo, do entretenimento puro, da magia do jogo, do futebol enquanto arte, nenhum jogador da actualidade pode ombrear com Messi, pois a meu ver é o mais genial futebolista que podemos ver actuar… Não tenho dúvidas que vai marcar uma geração!

Já do ponto de vista racional, dos números (é só consultar as estatísticas), Cristiano Ronaldo atingiu um patamar em 2008 que está ao alcance de poucos, com jogos, golos e assistências sempre a grande nível, conquistando a Liga Inglesa e a sempre desejada Liga dos Campeões, sendo melhor marcador em ambas as competições!!! E nem sequer é avançado! Fenomenal!

Portanto, percebem agora o porquê da auto-flagelação… Podendo escolher só um, qual destes craques escolheria para envergar a “camisola branca”? É aqui que eu acredito que existe o dilema entre razão e emoção!

Identifico Lionel Messi com o futebol puro, de rua, de finta, gingão, cujo treino seria jogar horas e horas só pelo prazer de jogar. Quando vejo o argentino jogar lembro-me sempre da minha bola a “desintegrar-se” nos jogos lá no bairro!

Já Cristiano Ronaldo é, para mim, produto do futebol moderno, de academia, “de laboratório”, que foi sendo construído para ser uma “máquina de jogar futebol”! E a fórmula resultou, alto, forte física e mentalmente, tem a compleição do jogador do futuro! Não é talento nato, mas talento construído! Representa a eficácia do trabalho árduo, dele e de quem o formou desportivamente!

Agora “torturem-se” comigo (frase estranha de se escrever…) e decidam qual deles queriam ver no Afonso Henriques… Não é fácil! Por um lado temos o futebol-magia de Messi (garante de espectáculo), por outro, o futebol-eficácia de Ronaldo (garante muitos golos/vitórias)!!! Ganhar é importante, mas o espectáculo também não será?

A minha escolha final acaba por ser emocional e recai em Lionel Messi! Tem a arte dos predestinados, joga futebol como respira, naturalmente, é como se já nascesse com esse conhecimento nos genes, é um escolhido! E esses são um grupo muito restrito! Para mim esse talento inato é a verdadeira alma do futebol… Será o último “jogador de futebol”!

Ronaldo, por sua vez, merece estar no topo do mundo futebolístico, fez uma época de 2007/08 absolutamente notável, melhor que Messi, melhor que todos, merece inteiramente os prémios que tem recebido, foi melhor… Esse mérito, ninguém o pode tirar, e só me merecem elogios o seu profissionalismo e dedicação! Mas tudo isto representa o futebol-trabalho (que respeito imenso, até pela sua seriedade), mas eu amo é o outro futebol, o futebol-talento, aquele que nos faz saltar da cadeira e abraçar estranhos!!! Só quem vai ao futebol sabe do que estou a falar…

Para quando um Messi no VSC podem perguntar? Talvez nunca, talvez um dia! Acredito que temos a capacidade formar jovens talentosos, alguns craques mesmo, e depois é só esperar que algum deles, quer pelo talento, quer pelo trabalho possam atingir o nível do Messi ou do Ronaldo!

PS: Não aparece aí nenhum clube turco que leve o Jean Coral, dava jeito para termos dinheiro para comprar um avançado a sério!!!

Meus amigos, Coral é cerveja na Madeira, ou as plantinhas lá no fundo do mar, agora jogador de bola, nem pensar!!!… Haja paciência…

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Paixão pelo Jogo


Acontece-me, não raras vezes, deixar-me embalar por um “romantismo” no futebol que já não existe, e, regra geral, o despertar para a realidade acontece sempre de forma abrupta e cruel! Acabou o jogador com o amor eterno ao clube, acabou a entrega de uma carreira ao serviço do clube, acabou o futebol pelo prazer de jogar, acabou espírito da equipa da terra! É o beijar a camisola de um clube e no ano seguinte mudar para o rival; é ao primeiro aceno do dinheiro do estrangeiro fazer “birra” para obrigar o clube a deixá-lo sair; é chegar a um clube e dizer logo que quer é dar o “salto” para outro; é saltar de clube em clube, todos os anos, nem chegando a conhecer os “cantos à casa”. Acabou o jogador de futebol para “nascer” o profissional do futebol!

O fenómeno de que vos falo hoje tem já alguns anos e, pessoalmente, é o grande problema do futebol actual. Não tenho dúvidas que o aparecimento do profissional de futebol veio acinzentar o Futebol Mundial! Hoje os jogadores já não jogam só com aquele desejo interno de ganhar, de bater o adversário, mas jogam a pensar no contracto a melhorar, a transferência a concretizar… Hoje em dia, o verbo ganhar só lhes faz sentido se acompanho da palavra dinheiro a seguir!

Pode ser discutível, mas o despertar mais brutal que o futebol teve neste âmbito, a meu ver, aconteceu com um jogador português, mais concretamente Luís Figo! Esqueceu que tinha o privilegio de ser capitão do Barcelona (apesar de ser estrangeiro), esqueceu que o Real Madrid era o histórico rival do Barça, esqueceu que essa rivalidade era muito mais que futebolística (Catalunha versus poder central em Madrid) e mudou-se para os blancos atrás de umas pesetas malditas!

À nossa dimensão, aconteceu esta época (aliás tem sido recorrente nos últimos anos) um casos deste tipo: o caso Alan! O jogador esteve emprestado ao nosso clube uma temporada, dizia-se encantado com a cidade, com a paixão dos adeptos do clube, com os companheiros de equipa e a possibilidade de estar na Champions. Areia para os olhos? Claramente! Pois logo que o Braga lhe acenou com o dinheiro nem parou para pensar (força do hábito!), provocando mais um “despertar” cruel neste futebol moderno!

Correndo o risco do saudosismo, posso dizer a plenos pulmões que orgulhosamente, sou doutro tempo, do tempo em que se fugia de casa para jogar na rua, em que se juntava dinheiro para comprar uma bola e jogava-se até ela se “desintegrar”, em que se chorava de raiva no fim se perdíamos, em que “ganhar” era só ser melhor do que o adversário. E era tudo! É esta paixão que me faz jogar futebol, ver futebol, que me faz pensar futebol, que me faz “escrever” futebol… É a paixão do jogo!

PS: Espero partilhar convosco, amigos vitorianos, um 2009 que desportivamente seja tão rico para o VSC como 2008 foi! No futebol e nas outras modalidades, onde obtivemos conquistas históricas! Nunca são demais…

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(Des)conto de Natal


Vivemos num período algo surrealista da existência humana que, estou certo, vai ser alvo de demorados estudos sociológicos no futuro! O real torna-se hiper-real, em face da velocidade de transmissão da informação. Assim, uma crise, que de facto nos assola, torna-se, permitam-me, numa “hiper-crise” (não confundir com crise de hipermercados)!

Sem a certeza dos números, aposto que a palavra «crise» aparece mais vezes até que a expressão «Cristiano Ronaldo» na Internet, tanta é a obsessão por uma e outra, embora apareçam em clara antagonia… Esta tormentosa crise nem se atreve a “bater à porta” do puto-maravilha, com medo de ser engolida pelos milhões de mais uma renovação de contrato! Quem me dera ter um fantasma merengue!

No meio de tanta crise, como anda o futebol nacional? Internado!!! Vai ver o Natal dos Hospitais in loco, face aos problemas de que padece, e dos quais, entretanto, teve uma recaída! Falta o pão, e de repente, já ninguém tem razão! Quando digo que falta o pão, falta mesmo, perguntem aos jogadores do Estrela da Amadora! Ah, e o tema arbitragem está mais quente que a rabanadas… É a quadra natalícia, ainda traz alguns traumas a certos clubes! Lembranças do passado!

Bom, gozem bem o Natalinho com as vossas famílias e amigos, abstraiam-se de todos estes problemas acessórios, e concentrem-se no essencial: o presente! Não confundir com o plural, concentrem-se no momento, no agora e… desfrutem!!!

O futebol volta para o ano e, estejam descansados, não muda, como o ano civil!

PS: Queiram enquadrar a crónica na época! Aos que ficarem intrincados por ela, apliquem-lhe um (des)conto de Natal!!!

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