Caros amigos vitorianos, esta semana, neste espaço de opinião que tenho a felicidade de partilhar convosco, vou fazer um exercício para o qual já tinha sido desafiado, mas que sentia que ainda não era o tempo certo de o realizar! Bem, o tempo chegou!
Já há algum tempo que, por imposição laboral, estou a viver na área metropolitana de Lisboa, e sendo um vitoriano e acima de tudo um vimaranense irredutível, nem sempre é fácil a convivência com a mentalidade centralista dos alfacinhas!
O primeiro ponto de conflito tem a ver com a ideia de que fora da capital impera o provincianismo, sempre condicionados por uma visão tão redutora como analfabeta de que tudo que não é Lisboa é “o Portugal de segunda categoria”. E garanto-lhes, porque estou cá e sei, como é verdade o contrário! Conseguir fazê-los entender que Guimarães é uma cidade cosmopolita, que guarda na sua beleza a interacção entre o Património histórico preservado e a “nova cidade” que vai crescendo, de forma harmoniosa, na envolvência, não é fácil! Ouvem, mas não entendem! O que vale é que nós sabemos…
Segundo ponto de conflito, e este já com a influência do futebol, mas também com uma ideia que se generalizou a nível nacional: vêem os vimaranenses como pessoas violentas, ou com tendência para resolver tudo “à bruta, à pancada”! E aqui, confesso, às vezes dá-me vontade de lhes dar razão, e efectivamente aplicar o ditado: “já que temos a fama, vamos ficar também com o proveito”! São “moinhos de preconceito” que “este D. Quixote de Guimarães” vai peleando, numa guerra que é tão longa quão angustiante… Acredito!
Por último, a eterna discussão futebolística, a qual me prende muito tempo, mas com uma vitória já há muito tempo conquistada! Digam bem, digam mal, conheçam muito, conheçam pouco, todos já sabem e admiram (ainda que às vezes não admitam) a “paixão única”, tão avassaladora como genuína, que temos pelo Vitorinha… Não raras vezes digo que se lhes vê no rosto laivos de inveja por não amarem as respectivas cidades e clubes como nós, vimaranenses, amamos. Um sentimento profundo, que vem da alma, da essência dos que nascem no Berço! É certo que também não foi fácil o ano da descida, com segundas-feiras tortuosas, mas o orgulho nunca esmoreceu, e continua sempre “firme e hirto”, como a espada de Afonso Henriques, o Conquistador!
É certo que “os moinhos” são muitos, e o D. Quixote é só um, mas levo esta missão de fazer ver aos lisboetas de que as ideias pré-concebidas e centralistas que têm, em relação a Guimarães, estão completamente desfazadas da realidade! Bem, em relação ao futebol já sabem (e aprenderam a respeitar), que ser vitoriano é ter uma “paixão única”, tão dedicada ao clube como à vida… ou mais!
PS: A carta que ponho na mesa que mais lhes causa “dor na alma” é a de que, incontestavelmente, nós, em Guimarães, fomos primeiro portugueses que todos eles! Vá lá, até lhes fizemos o favor de os resgatar da alçada mourisca… à pancada, claro!
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