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Uma no cravo, outra na ferradura…


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Lembro-me de, numa crónica que escrevi por volta do mês passado, ter demonstrado o meu agrado pelo “novo” Vitória, agora comandado por Paulo Sérgio. Na altura em que escrevi a crónica, após o jogo com os “verdes” de Alvalade, era já notória alguma evolução na equipa e nos mecanismos que a mesma utilizava para fazer circular a bola de forma eficaz entre os vários sectores da equipa. Passados dias da publicação da mesma crónica, eis que sofremos mais uma derrota, desta feita em Coimbra, frente a uma equipa da Académica que também procurava encontrar um novo rumo que lhes permitisse escapar ao sufoco inerente às ultimas posições da tabela classificativa. Confesso-vos que à medida que fui assistindo ao desenrolar da partida fui temendo pelo pior. Dei por mim a pensar que, invariavelmente, iria ter que engolir os elogios por mim proferidos, como quem engole sapos.

Felizmente, os aprontos que se seguiram encarregaram-se de não me retirar a razão e ainda bem! Após três jogos “a doer”, que correspondem a igual número de vitórias, as melhorias são evidentes e estão à vista de todos. Como que por magia, a equipa parece ter mudado da noite para o dia, mostrando uma atitude, garra, qualidade técnica e vontade de vencer que julgava irremediavelmente perdidas. Após os bons resultados contra o arqui-rival Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Benfica, podemos com orgulho dizer que o verdadeiro Vitória está de volta, que está aqui para as curvas, e que não só está bem como se recomenda!

No entanto, e esquecendo agora por momentos as matérias estritamente desportivas, nem tudo vai bem no Castelo Vitoriano. Aliás, se tudo estivesse bem, até o próprio Belzebu se ria!

Foi com alguma surpresa que soube que estamos prestes a ser processados junto da Fifa por um clube de nome “12 de Octubre”. Por momentos fiquei intrigado acerca dos motivos que motivariam tal acção por parte de um clube que não me recordo de ver relacionado com o meu Vitória. Desde quando é que nos relacionamos com clubes Paraguaios de origem duvidosa? Após ter colocado tal questão a mim mesmo, resolvi remexer no meu arquivo de memórias e lá me recordei que, realmente, existiria por cá um certo jogador que era oriundo de tais paragens. Falo-vos, obviamente, do também Paraguaio Mendieta, lateral esquerdo contratado pelo Vitória durante o defeso. Sim, o tal que dizem que é bom rapaz, que marca bem os livres, mas que infelizmente nunca ninguém viu a jogar!

Parece certo que, durante o verão, ambos os clubes teriam chegado a acordo relativamente à transferência do “levezinho” Mendieta para terras minhotas. Também é certo que o mesmo jogador foi apresentado por Emílio Macedo, nosso digníssimo Presidente, com toda a pompa e circunstância, como um dos reforços do plantel Vitoriano para a época que agora se disputa. Também parece certo o facto de o jogador não servir os interesses do Vitória, visto ainda não ter alinhado pela equipa principal do Vitória num jogo “a doer”, por um único minuto que seja. O que é uma certeza daquelas mesmo inabaláveis é o facto de o clube “fornecedor” ainda não ter recebido um cêntimo sequer do valor que foi acordado pelas partes, valor esse, julgo eu, devidamente cabimentado e orçamentado no rol de despesas que o clube teria que enfrentar na presente época.

Todas estas “moscambilhas” e “trocas e baldrocas” merecem uma explicação, pois não nos podemos dar ao luxo de ver o nome do nosso Clube ser arrastado na lama, acusado de não honrar os compromissos que celebra . O que também merecia um esclarecimento, e este sim, cabal, é a já célebre e famigerada política de contratações levada a cabo pelo clube e pelos seus directores desportivos, que ontem se demitiam e hoje já não. Que tipo de negócios andam esses senhores a fazer? Porque raio se endividam em mais de 200.000€ para recrutar um jogador que não joga e que ainda por cima se encontra visivelmente aquém dos padrões físicos exigíveis para a prática de um desporto de alta competição como o futebol? Quem fez este negócio? Quem definiu os critérios de avaliação e quem é que deu o aval para a contratação deste suposto atleta que é tão bom, mas tão bom mesmo que nem sequer é convocado para jogar? Que tipo de gente é esta que nos endivida para adquirir Mendietas, Santanas, Milhazes e afins? Que tipo de gente é esta que, depois de (não) gastar meio milhão de euros em laterais esquerdos que não jogam, ainda tem a distinta lata de anunciar que quer adquirir mais um defesa canhoto no mercado de Inverno? Que negócios são estes, que gente é esta e o que ganham eles com isto?

Esta é a prova de que o Vitória é mesmo um grande clube dirigido por gente pequena e provinciana, gente que abdica da seriedade e do profissionalismo negocial para se dedicar a tempo inteiro à “chico-espertice” que teima em reinar por este país fora. O Vitória é um grande clube que está a ser gerido como uma mera mercearia, onde há livro de calotes e onde a comprar e vender fiado são uma constante do dia a dia.

Pode haver quem encare estas coisas de ânimo leve e se esteja a borrifar se deve ou se não deve, se é chamado de caloteiro ou não, se a FIFA está ao corrente ou não. Eu não penso assim e tenho a firme certeza que a esmagadora maioria dos Vitorianos também não. Dívidas são dívidas e os compromissos são para ser cumpridos, custe o que custar, doa a quem doer.

Espero sinceramente que esta e outras situações sejam devidamente lembradas e equacionadas quando formos chamados a decidir o nosso destino, em Março do ano que vem. Para o bem do Vitória, única e exclusivamente, e de mais ninguém!

Saudações Vitorianas.

Manuel Aspinall

Guimarães, 26 de Novembro de 2009.

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Soube a pouco…


Agitados. É desta maneira que caracterizo os últimos tempos vividos no seio do nosso clube. Mais uma vez, e inevitavelmente, voltou a soar o “chicote” no D. Afonso Henriques. Nelo Vingada via-se afastado (e bem, diga-se de passagem) do comando técnico do Vitória, após uma série de resultados menos convincentes e de igual número de exibições que considero sofríveis, para não dizer miseráveis. Nelo Vingada caiu assim do “poleiro”, sem ter alcançado a glória que lhe era desejada pelos adeptos. Além de demonstrar uma gritante falta de ambição, também não soube levar a água ao seu moinho, no que à sua relação com os adeptos diz respeito. Muito por força das infelizes declarações que proferiu, o professor Vingada comprou uma guerra escusada com os adeptos, ávidos de resultados e boas exibições. Após tal ocorrência, uma exibição menos conseguida foi suficiente para o seu abandono deixar de ser um desejo para se tornar uma realidade…antes que fosse tarde demais.

Após uma longa semana de indefinição e de muitos nomes avançados pela imprensa (quase sempre dados como certos e apenas presos por detalhes), eis que Paulo Sérgio se apresenta no “Castelo”, ambicioso e ciente da grandeza dos novos desafios, para “pegar de estaca” num colectivo que se encontrava, manifestamente, órfão de uma liderança forte e motivadora.

A tarefa de Paulo Sérgio não se afigurava (e não se afigura ainda) nada fácil. O facto de o plantel não ter sido alinhavado pelo actual técnico, apesar de não se tratar de um factor determinante, pode vir a causar alguns acidentes de percurso. O plantel profissional terá sido construído segundo as orientações e escolhas de Manuel Cajuda, sendo agora Paulo Sérgio o responsável por tirar destes jogadores o melhor rendimento possível. O que é facto é que o novo treinador parece ser “forte” o suficiente para assumir o desafio que abraçou. Nestes dois primeiros jogos do “seu” Vitória, o treinador Lisboeta provou que realmente exerce uma verdadeira voz de comando. Prova disso é o empenho e ambição que vimos aparecer na equipa, quase da noite para o dia.

Não se pode dizer que os primeiros “testes” às capacidades do novo timoneiro tenham sido fáceis. Bem pelo contrário. O Feirense, apesar de ter perdido o jogo por um resultado aparentemente significativo, mostrou ser um osso duro de roer, praticando um futebol agradável e deixando transparecer o porquê de ser um dos principais candidatos à subida ao escalão maior do futebol Luso. Se, após a eliminatória da Taça, ainda se sentia algum cepticismo em relação às reais capacidades da equipa e treinador, pode-se dizer que o jogo contra os Leões de Alvalade foi a prova cabal de que este Vitória se encontra diferente, quase transfigurado, mas desta vez para melhor.

Num jogo que se antevia pleno de dificuldades, assistiu-se, sobretudo durante a primeira parte, a uma das melhores exibições do Vitória nos últimos tempos. A equipa entrou em campo determinada a lutar e a discutir o resultado com uma garra e sentido de abnegação inquestionáveis, em que escancarou as debilidades do adversário, dominando-o por completo. Para satisfação dos mais de 18.000 presentes, número bastante aceitável para uma terça-feira á noite, os homens do Berço foram capazes de encostar o Leão ás cordas, sujeitando-o às investidas atacantes avassaladoras que protagonizou.

Contudo, e num jogo que teria tudo para ser perfeito, o Vitória acabou por falhar no capítulo que mais interessa e que verdadeiramente dá pontos no futebol : a finalização. Com as sucessivas investidas de Targino e Desmarets pelos flancos, seria de esperar que Douglas soubesse levar a água ao seu moinho, ressuscitando assim a veia goleadora que demonstrou durante o arranque da época passada. Apesar de ter trabalhado bastante entre os centrais adversários, tal não se verificou. Apesar de todo o esforço e empenho, Douglas viu os seus esforços gorados, mantendo assim o jejum de golos nesta edição da liga. Quem pensou que o artilheiro ia voltar aos golos, depois de mais uma “acrobacia” frente ao Feirense, bem se desiludiu, ficando Douglas a dever mais um ou dois golos à massa associativa Vitoriana.

Apesar de todas as melhorias, que são evidentes, falta ainda que os “Conquistadores” afinem a pontaria. Já dizia o ditado que “quem não marca, arrisca-se a sofrer” e esta terça-feira tivemos mais uma vez o exemplo de que essa velha máxima ainda hoje se aplica. Contra equipas como o Sporting, onde existem alguns bons executantes, qualquer veleidade da nossa defesa pode ser aproveitada. É realmente nestas ocasiões que os jogadores mais oportunistas tendem a resolver os jogos, o que só não aconteceu por um triz, porque Rui Miguel ainda entrou a tempo de repor alguma (pouca) justiça no marcador.

Contra um Sporting teoricamente fragilizado pelo mau momento de forma que atravessa, o Vitória acaba por conseguir um empate. Noutros tempos e com outros protagonistas e outras exibições, poderia ser até considerado um bom resultado. Nos dias de hoje, e depois da grande exibição que protagonizou, este empate acaba por saber a pouco, mesmo muito pouco, valendo apenas pelo alívio que Rui Miguel deu aos adeptos com o seu golo tardio e providencial. Se Paulo Sérgio acabar por se revelar o treinador carismático que eu penso que é, estão agora, e só agora, lançados os alicerces para uma época que se desejava de maior sucesso que a anterior. Esperemos é que este trabalho meritório dos jogadores e equipa técnica não caia em saco roto lá mais para o fim da época. Com grande parte dos atletas em fim de contrato e com uma direcção que ainda não se definiu em termos de candidatura às eleições de Março, temo que a mesma se venha a escudar na velha desculpa de não querer comprometer o próximo elenco e assim descurar o planeamento desportivo da próxima época, que depende, como é sabido, da definição da situação contratual de certos atletas. É que de supostos “anos Zero” já estão os Vitorianos fartos, e, sinceramente, um clube que gera três vezes mais recita de bilheteira do que o rival que se encontra neste momento a lutar pelos lugares cimeiros, merece mais, muito mais do que a mediania a que, ultimamente, fomos votados.

Desejo a Paulo Sérgio os maiores sucessos desportivos ao leme do Vitória e que este seja capaz de finalmente devolver o clube definitivamente à ribalta do nosso futebol. Estou certo que com a sua juventude, carácter, “raça” , humildade e, claro está, com o apoio de todos os Vitorianos, encontramos o homem que nos irá devolver a estabilidade perdida.

Saudações Vitorianas!

Manuel Aspinall

Guimarães, 29 de Outubro de 2009

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Devaneios…


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Se os mais optimistas dos Vitorianos esperavam pelo jogo com o Leiria para voltar aos triunfos, desde o aproximar do fim da primeira parte que tal esperança se desvaneceu novamente.

Depois de um certo fulgor inicial por parte da equipa da casa, que redundou no golo de Nuno Assis, todos esperavam um desfecho mais positivo para a partida a que assistimos na segunda-feira. Contudo, um contra-ataque rápido por parte da equipa Leiriense veio confirmar as suspeitas de que o União se teria deslocado a Guimarães para discutir o jogo taco a taco com o Vitória. Confesso que eu próprio fui um dos tais optimistas que, crentes num bom resultado, menosprezaram completamente a equipa de Leiria. Acreditei piamente que o Vitória iria presentear os seus adeptos com um triunfo e que a equipa do Leiria, recentemente promovida ao escalão principal, seria um adversário mais acessível para o Vitória. Não podia eu estar mais enganado! O Leiria tem, sem dúvida, uma boa equipa de futebol, matreira e bem organizada e que, acima de tudo, sabe bem o que quer e como deve coordenar o seu jogo de modo a atingir os seus objectivos. Aliando estas características à existência de alguns bons executantes e à presença de um treinador com muitos anos nestas andanças, pode-se dizer que o Leiria tem futebol suficiente para surpreender muito boa gente, incluindo os adeptos dos clubes que, por tradição, almejam a outros vôos que não propriamente os da União. A maneira infantil como o Vitória perdeu a iniciativa do jogo quase nos custou mais uma derrota caseira. A “alma vitoriana” parece ter ficado esquecida numa qualquer gaveta e a ambição, se é que existiu, deve ter ficado no balneário durante o intervalo.

Poderia gastar imensas linhas e parágrafos a comentar as incidências deste jogo. Matéria para tal não falta, como de resto os cerca de 13000 vitorianos presentes também devem ter constatado. Contudo, e como muito vulgarmente se diz, “outros valores se levantam” e algo que se passou no fim do jogo, durante a “flash interview”, teve o condão de me distrair dos acontecimentos que tiveram lugar dentro das quatro linhas. Falo, obviamente, das desagradáveis declarações do digníssimo treinador do Vitória, o Professor Nelo Vingada, em relação à questão que o não menos digno “jornaleiro” lhe colocara, relativa aos impropérios, vaias e lenços brancos oriundos das bancadas do D. Afonso Henriques.

Bem sei que ser o alvo de tais comentários e gestos menos próprios não é nada de muito agradável, bem pelo contrário, mas também sei que os mesmos não são gratuitamente direccionados. Aquilo que o Professor Nelo Vingada parece não ter percebido, e tem forçosamente que perceber, é que tais actos são nada mais do que o resultado da frustração sentida pela generalidade dos adeptos do Vitória, em virtude do mau arranque de temporada que a equipa está a protagonizar. De cada vez que ouvir uma vaia, o Professor Vingada deveria ter em mente os míseros seis pontos conquistados em igual número de jogos. De cada vez que o senhor Professor vir um lenço branco na bancada, deve fazer um esforço para se recordar das paupérrimas exibições que os homens por si orientados têm protagonizado e deve pelo menos tentar compreender a frustração daqueles que renovam lugares anuais, que pagam as suas quotas mensalmente e que se deslocam para o estádio em dias e horas ridículas com a esperança (mesmo que ténue) de ver o seu clube de coração vencer. Insultos e impropérios, ninguém gosta de os receber, bem sei, mas também ninguém gosta de ver o seu clube a perder e, ainda por cima, jogando mal. Quanto á tal “cultura do insulto” a que o Professor se refere, infelizmente a mesma já não é novidade para ninguém. Desde que me recordo de existir que me recordo de ver futebol e desde o primeiro momento em que pisei as bancadas de um estádio que fui confrontado com esta realidade que, apesar de não achar bonita, aprendi a compreender.

O futebol é, acima de tudo, um desporto de emoções fortes. Se não o fosse, não haveria tantos adeptos desta modalidade, e sem adeptos, onde estaria a indústria do futebol neste momento?

Aquilo que o Professor Vingada critica é a própria génese do desporto. Ninguém gosta de perder e ponto final. O que os adeptos querem é celebrar Vitórias, sendo que apenas os menos ambiciosos se satisfazem com empates arrancados a ferros. Como conhecedor do futebol Luso que é, o Sr. Nelo Vingada deveria saber que os adeptos do Vitória primam pelas altas expectativas e pela exigência, devendo também ter em mente que aqui em Guimarães a tal “pressão” se sente como nos três grandes “estarolas”. Vingada sabe-o, como sabem, de resto, todos os profissionais do desporto rei em Portugal. Os sócios do Vitória são capazes dos festejos mais efusivos em caso de Vitória, assim como também são capazes das reacções mais intempestivas em caso de desaire ou em virtude de um resultado menos satisfatório. Se, tal como disse, Nelo Vingada não se deixa afectar por impropérios lançados “a quente”, também deveria fazer orelhas “moucas” e tentar, pelo menos, passar ao lado das críticas que fez aos mesmos adeptos que contribuem para o pagamento “certinho” do seu ordenado ao fim do mês. Perante tal pergunta na “flash interview”, Vingada poderia muito bem ter-se ficado por uma resposta simples, que não ofendesse ninguém e que desvalorizasse os tais apupos e assobios. Nestas coisas, há também que ser um pouco diplomático. Para tal, bastaria dizer que é natural ouvir apupos, pois o que os adeptos querem é ganhar. Nelo Vingada preferiu a via mais difícil, a do confronto directo com a principal “parede mestra” do clube. Agora, e para “fazer as pazes”, são necessários resultados. Esperemos, para o bem de todos, que os mesmos apareçam, até porque já começam a aparecer em Guimarães os muy típicos profetas da desgraça, augurando o mais variado leque de calamidades, e o que é verdade é que o tempo já começa a apertar e os próximos adversários não se afiguram nada fáceis.

Antes de vos deixar, gostaria apenas de apontar o dedo a um problema que urge resolver, relacionado com a pseudo comodidade de que os associados usufruem no seu próprio estádio. Como sócio que sou, todos os anos renovo a minha cadeira no sector EJ da bancada nascente, sendo que desde há uns tempos atrás tenho sentido na pele, melhor dizendo, no nariz, as nefastas consequências de ter escolhido um local tão aprazível para ver a bola. Falo mais concretamente do odor nauseabundo a urina que teima em impestar aquela bancada. O odor chega a ser tão insuportável que nem de cachecol à frente do nariz é possível suportar. Não é que o problema seja recente, pois já em diversas ocasiões, nomeadamente durante a época passada, me foi possível constatar a presença de tal “perfume”. Contudo, quer-me parecer que o mesmo problema se agravou. Convém que a direcção se debruce sobre este assunto e que apure as suas causas e possíveis soluções, sob pena de o já menor número de espectadores “efectivos” diminuir ainda mais. Os sócios pagam as suas quotas e cadeiras, logo merecem todo o conforto que lhes possa ser proporcionado, por mais estranho que isto pareça aos ditos directores do nosso clube. Eu e os meus vizinhos de sector agradecemos.

Até para a semana e saudações Vitorianas a todos.

Manuel Aspinall

Guimarães, 2 de Outubro de 2009

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Por Guimarães, tudo Sereno …


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Recordo-me de, na semana passada, ainda na “ressaca” do jogo contra a Naval 1º de Maio, ter demonstrado algum optimismo em relação à prestação do Vitória nesta época. Após ter amealhado os três pontos de forma aparentemente convincente, mesmo contra um conjunto nitidamente mais vulnerável do que a generalidade das equipas que disputam a mesma prova, tal optimismo surge com uma certa naturalidade. Ao testemunhar a exibição bem conseguida do Vitória, parti do princípio que parte da “receita” para o sucesso nesta época estaria já alinhavada. No entanto, tal presunção durou pouco tempo, muito pouco tempo…

No dia seguinte à publicação da crónica, o Vitória apresentou-se em Matosinhos para medir forças com o pseudo-rival Leixões, num encontro que se antevia “quente” não só devido ao ambiente de crispação entre adeptos que ultimamente tem caracterizado os nossos “encontros imediatos” com os Homens do Mar, mas também pela intensidade habitual deste confronto dentro das quatro linhas. Quem perspectivava um encontro de emoções fortes e alguma dureza à mistura não se enganou, definitivamente. A raça e a dureza que os leixonenses demonstram jogo a jogo não é segredo para ninguém. Tendo em consideração que se trata de uma equipa orientada por José Mota, menos surpreendente ainda se torna esse facto. O Leixões pratica um futebol duro, matreiro e pragmático, não escondendo a ninguém que o seu objectivo primordial passa por condicionar física e animicamente o adversário. Endereço os meus parabéns á equipa da casa, pois conseguiu atingir a plenitude dos seus objectivos, face a um Vitória apático e aparentemente sem alma. Bem sei que o homem do apito pode ter tido uma certa influência, na medida em que consegui, através da constante exibição de cartolinas aos atletas Vitorianos, inibir qualquer tipo de tentativa de jogar de forma mais aguerrida ou apaixonada, ao mesmo tempo que aparentava permitir todo o tipo de veleidades e desvarios aos homens da casa.

Bem sei que alguma responsabilidade cabe ao árbitro. Tal facto é inegável. No entanto, também não podemos negar que o Vitória foi nada mais do que uma presa fácil para esta “coligação” de forças que nos enfrentou, na medida em que pura e simplesmente não contrariou nem tentou contrariar, em tempo útil, a “corrente” do jogo. Se o fez, quando o tentou fazer, era já tarde demais.

Muitos foram os factores que contribuíram para que tal acontecesse. O Vitória apresentou-se em Matosinhos de forma um pouco atabalhoada, deixando transparecer as suas fragilidades perante um Leixões muito mais forte no capítulo físico e táctico. Parecia não haver qualquer “fio de jogo”, pois raras foram as vezes que conseguimos transpor o meio campo do Leixões, tal era a dureza do seu jogo e também o rigor táctico da equipa orientada por Mota. O resultado final, apesar de, a meu ver, ser demasiado avultado, acaba por premiar o empenho e raça demonstrados pela equipa de Matosinhos, penalizando um Vitória ineficaz, ingénuo, perdulário e, tendo em conta a inqualificável atitude de Douglas, indisciplinado.

Ontem ao fim da tarde, cumpriu-se o apronto contra o Sporting da Covilhã, que constitui a estreia do Vitória numa prova que, segundo Nelo Vingada, é para ganhar. Se tal declaração corresponde efectivamente à vontade do Mister, então abertamente lhe digo que, para que tal aconteça, muitas coisas terão que mudar para que tal venha a ser possível. Contra uma equipa de um escalão inferior, o Vitória voltou a protagonizar uma pobre, para não dizer sofrível. Assistiu-se a um jogo de futebol enfadonho, onde o Vitória revelou uma quase total falta de criatividade e objectividade, sendo que apenas terá chegado ao golo por força do penalty tardio assinalado contra os serranos, tento esse que acabou por empurrar a equipa para a obtenção de mais um golo, fruto do alento que a marcação da grande penalidade deu aos jogadores do nosso clube. Quem sabe, se não fosse esse lance do castigo máximo e as valorosas intervenções de Serginho, que negou categoricamente o golo à turma da Covilhã em mais do que uma ocasião, talvez a história deste jogo tivesse sido tragicamente diferente e quem sabe se os Serranos não teriam saído de Guimarães com uma história para contar aos filhos e netos. Valeu, como referi anteriormente, a belíssima exibição de Serginho, que defendeu com vigor a baliza Vitoriana, o empenho de Jorge Gonçalves e Targino, que cada vez mais se afirmam como incontornáveis no jogo ofensivo Vitoriano, e o voluntarismo de Marquinho que, com as suas boas prestações, começa cada vez mais a merecer o estatuto de titular que teimam em não lhe conferir.

Se realmente esta prova é para vencer, então Nelo Vingada terá que ter a noção de que algo não vai bem no seio da equipa, e terá de repensar a maneira como explana o futebol do Vitória no relvado, que até agora tem sido manifestamente insuficiente em relação aos pergaminhos do clube e às ambições das suas gentes que, de resto, foram já assumidas publicamente quer por dirigentes, equipa técnica e jogadores. Espero, e tenho a certeza, que tais mudanças irão ocorrer, até porque temos muita gente á espera de uma oportunidade para se mostrar e, quem sabe, se impôr no modelo de futebol praticado pelo Vitória. É que isto de ter nomes mais ou menos sonantes no banco de suplentes tem muito que se lhe diga, e falta de oportunidades ou de confiança pode sempre levar a muitos descontentamentos que normalmente são nocivos para qualquer balneário. Contudo, se mesmo contra o Covilhã não é dada uma oportunidade a jogadores como Custódio, Santana Carlos (que precisa de minutos de jogo para ganhar rotinas e afinar a pontaria) e Kamani Hill, é lógico que os sócios e adeptos se questionem acerca de quando irão essas oportunidades ser concedidas. Cabe a Nelo Vingada responder, através das sucessivas convocatórias que for apresentando.

Já tinha eu alinhavado a crónica desta semana quando sou confrontado com uma surpresa, que de resto abalou a Nação Vitoriana desde a manhã de hoje. Falo-vos, naturalmente, da notícia hoje veiculada por alguns órgãos da comunicação social que dá conta de um acordo verbal já existente entre o futebolista Sereno e o Futebol Clube do Porto, com vista a que o ainda Vitoriano passe a envergar a camisola azul e branca a partir da próxima temporada. Não me admira que Sereno seja um jogador cobiçado. As qualidades por si demonstradas, aliadas à margem de progressão que a sua ainda tenra idade lhe confere, faz do central Vitoriano um alvo apetecível para muitos clubes. Também não me surpreende o facto de Sereno querer sair do clube no fim do contrato, visto que as várias rondas de negociação da sua renovação contratual saíram goradas. Contudo, espanta-me sim que tal notícia seja “libertada” quando faltam ainda cerca de oito meses para o fim do contrato. É que se não me falha a memória, os clubes só podem abordar livremente jogadores de outros emblemas quando faltarem menos de seis meses para o “términus” do actual contrato. Logo, parte-se do princípio que quem quiser abordar o jogador terá que antes obter autorização para o fazer por parte do clube que ainda detém o passe, autorização essa normalmente concedida após ser acordada uma compensação, normalmente pecuniária, a ser paga ao suposto clube vendedor.

Terá Emílio Macedo feito as pazes com Pinto da Costa e chegado a um acordo para a venda do passe do jogador? A menos de um ano do fim do contrato, não me parece, muito sinceramente vos digo. Parece-me sim que, a ser verdade esta notícia, o F.C. Porto terá mais uma vez ignorado os manuais de boas práticas do futebol, perpetrando uma ilegalidade cabal. Ao negociar com o jogador ou o seu empresário antes do devido tempo, o F.C. Porto está mais uma vez a passar por cima não só dos interesses alheios, mas também por cima de uma lei que, supostamente, seria para cumprir.

Cabe á direcção eleita pelos sócios do Vitória resolver este mistério. Para tal, equacionam-se dois cenários e duas possíveis soluções. Se o Vitória negociou o jogador com um clube que nos prejudicou deliberadamente num passado recente, cabe ao Sr. Presidente elucidar os sócios, revelando o teor do acordo e demonstrar de que maneira irá o nosso clube ser ressarcido. Como tal cenário me parece altamente improvável, fica a segunda hipótese. O Porto, à reveia das leis impostas pela Fifa, aliciou um jogador de clube alheio quando este ainda mantém um contrato de trabalho com mais de seis meses de duração, prejudicando nitidamente o clube que ainda detém o passe do atleta. Se for este o caso, que me parece o mais provável, é imperioso que o Sr. Presidente do Vitória Sport Clube reaja de forma enérgica e instrua o departamento jurídico do clube a apresentar uma queixa na Liga, Uefa e Fifa contra o F.C. Porto, por aliciamento ilícito ao atleta. Se tal aconteceu, é uma ilegalidade de todo o tamanho que, à imagem do que aconteceu a outros clubes europeus, poderá levar o Futebol Clube do Porto a ser severamente punido, nomeadamente impedido de vir a negociar com o dito jogador ou até mesmo proibido de inscrever jogadores numa próxima edição da Liga.

É obrigatório que a direcção do Vitória actue com celeridade no sentido de apurar a verdade dos factos. É também exigível que reaja energicamente a mais esta afronta e que reclame que os seus direitos sejam religiosamente respeitados por todos. O Futebol Clube do Porto pode ser um dos maiores clubes europeus, mas enquanto prevaricador não deve ser tratado com impunidade ou “paninhos quentes”. Deve respeitar as mesmas regras que os outros se esforçam para cumprir, sob pena de o clima de a vergonha que é o futebol português se tornar definitivamente num circo típico de uma qualquer república das bananas.

Exige-se uma acção enérgica e determinada ou, no caso de não confirmação de tal notícia, ao menos um esclarecimento do que se poderá ter passado para que tal veleidade tenha vindo a lume na imprensa.

O Vitória não pode andar nas bocas do país como se de um lorpa se tratasse.

A defesa dos nossos interesse é uma exigência!

A César o que é de César!

Cumprimentos a todos os leitores e até para a semana, seu Deus quiser, num ambiente já mais Sereno.

Manuel Aspinall

Guimarães, 24 de Setembro de 2009.

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Ainda o Vitória – Benfica …


sentir-vitoria

Caros vitorianos, falar-vos-ei hoje do que passou fora das quatro linhas no jogo em Guimarães frente ao Benfica que, por variadíssimas razões, tardará a cair no esquecimento. No entanto, desenganem-se os que pensam que comentarei a esplendorosa atitude do nosso presidente ‘lambe botas’ e do comunicado emitido por quem lidera o nosso clube que é, no mínimo, ridículo. Não, esse assunto, que foi o tema de ordem durante toda a semana nas hostes vimaranenses e que profundamente ofendeu a família vitoriana, ainda fará ‘correr muita tinta’ – e não é para menos – pelo que vamos aguardar (im)pacientemente novos desenvolvimentos.
No entanto, venho dar o meu parecer relativamente a um tema mais que debatido mas que me apoquenta e entristece profundamente. Pensava eu – inocentemente – que éramos maioritariamente um povo digno e com valores e que a imagem antiga de que os adeptos vitorianos eram ‘arruaceiros’ já não se aplicaria. Todavia, continuam a ser deploráveis as cenas de violência a que se assiste findo um jogo de futebol que mais não deveria ser do que uma festa. Sim, porque o futebol é uma festa ou, pelo menos, deveria sê-lo.
O que é certo é que, no final do jogo com o Benfica, muitos foram os aficionados do clube do milhafre que foram incompreensível agredidos por alguns covardes que desatavam – permitam-me a expressão – ‘ao murro e ao pontapé’ em tudo o que de vermelho mexesse.
Assisti incredulamente a momentos de violência, em plena avenida de Londres, indecentes e vergonhosos. Felizmente ainda existem cidadãos (no real sentido da palavra) que tentavam a todo o custo amainar a situação, separando e repudiando a atitude dos agressores.
Estes indivíduos que ‘batem e escondem a mão’ são, provavelmente, pessoas (com comportamentos animalescos) que não medem as consequências dos seus actos. Acredito piamente que estes desconhecidos nem sequer irão aos jogos fora e que provavelmente não sabem que atitudes deste género implicam muitas vezes ‘vingança’.
E depois, como é sabido, ‘paga o justo pelo pecador’.
Ora, não se pode já vestir a camisola do clube pelo qual se torce? Quantas vezes não fazemos isso? Aliás, nós vitorianos representamos e fazemos jus ao símbolo do Rei em qualquer parte do planeta… Todavia, longe de mim simpatizar com qualquer outro clube porque vitoriano que se diz verdadeiramente vitoriano só o Vitória lhe interessa e não tem ‘costelinhas emprestadas’.
Mas o respeito pelo próximo é algo que sempre esteve na base da minha existência e toda a vida ouvi, vezes sem conta, a minha querida mãe interrogar: ‘O que seria do amarelo se tudo fosse azul?’.
Além disso, se bem estudei nas aulas de Filosofia, a Declaração Universal dos Direitos do Homem (aprovada após a II Guerra Mundial) consagrou, no plano global, um conjunto de valores essenciais, assumidos como universais e que devem ser reconhecidos a todos os indivíduos, independentemente da raça, nacionalidade, sexo, idade, religião ou condição social – e na minha opinião, talvez se justificasse acrescentar ‘e clube de futebol’. São eles: a Pessoa como valor em si; a Dignidade humana; a Liberdade; a Igualdade e a Fraternidade/Solidariedade.
Assim sendo, eu questiono-me sobre quantos destes direitos são frequentemente violados por tais actos infames.
A crítica abrange toda e qualquer forma de violência, não se limitando apenas ao futebol. O facto da época em Guimarães ter começado de um modo pouco ajustado, no que a este tema diz respeito, apenas me suscitou alguma revolta e vontade de a partilhar. Como é óbvio estende-se a todos nós, particularmente aos amantes do futebol, que podem ver a sua integridade física comprometida sem motivo ou razão aparente.As forças de segurança não são omniscientes nem omnipresentes e não podem ser culpadas de tudo. Por mais policiamento que haja, por mais que os clubes invistam, enquanto não se mudarem mentalidades continuaremos permanentemente em risco.
Haja civismo, haja cidadania!
Em jeito de reflexão, termino com uma frase de Augusto Cury:
“Violência gera violência, os fracos julgam e condenam, porém os fortes perdoam e compreendem”.
A citação é de fácil interpretação e de um modo mais simples e divertido pode ajustar-se a todos nós na medida em que devemos ‘dar um desconto’ a quem não for do Vitória.

Ana Machado

PS: pedimos desculpas por só agora ser publicado este artigo,mas só agora nos foi possível colocar no site.

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O regresso…


fora-jogo

É com gosto que, passados quase cinco meses desde a última crónica, regresso a este espaço para partilhar com os leitores aquilo que me vai na alma, no que à minha paixão futebolística de sempre concerne, o nosso mais que amado Vitória Sport Clube.

Recordo-me agora, com uma certa angústia, dos acontecimentos que me levaram a “desistir” de comentar a ponta final da prestação Vitoriana na edição anterior da Liga Sagres. Numa época em que se perspectivavam os mais altos vôos para o nosso Clube do  coração, vimos as nossas legítimas expectativas de crescimento e de grandeza goradas, adiadas por mais algum tempo, vá-se lá saber quanto! Nessa altura, depois de tanto idealizar, foi a massa associativa Vitoriana confrontada com um “lusco-fusco” de época assombrado pelos nada mais que medianos resultados desportivos e pela continuação de um certo autismo por parte da direcção no que diz respeito à política de gestão dos recursos, capitais e humanos, do nosso clube. O desenrolar da segunda metade da época passada foi, em quase todos os capítulos, a confirmação de que seria ainda preciso galgar um longo e penoso caminho para que  a ambição dos ditos gestores do nosso amado Vitória fosse condizente com a crescente mas legítima ambição de quem todos os anos sacrifica parte dos seus rendimentos para a maior causa comum da generalidade dos Vimaranenses. A mediocridade que corresponde à prestação na passada edição da Liga é irrefutavelmente atestada pelas contas finais do campeonato. Depois de todos os comentários e de toda uma retórica argumentativa em que espelhei livremente a minha frustração pessoal por não ver certos objectivos cumpridos, achei que, face á situação que teimava em persistir, nada mais haveria a dizer em relação àquilo que acabou por se revelar uma desilusão para todos os Vitorianos. Restar-me-ia esperar pelo início dos trabalhos da nova época e aguardar por novos objectivos e outros protagonistas que pudessem lutar por atingi-los.

Moral da História : um saldo final negativo em matérias de golos (32 tentos marcados contra 36 sofridos) e em resultados finais (em 30 jogos, o Vitória ganhou 10, empatou 8 e perdeu 12) levou o Vitória a ocupar um modesto oitavo lugar na tabela, parco para uma equipa que supostamente “debitava” ambição e cujos sócios, seu verdadeiro capital humano, acalentavam com esperança justificada a consolidação de um estatuto europeu entretanto perdido.

Na época passada, o Vitória nada mais foi do que o “espelho” da competição medíocre que disputa, um campeonato onde quem perde mais do que ganha consegue manter um estatuto de mediania. A lição que Emílio Macedo e seus pares (mesmo os entretanto desavindos) devem retirar do exercício passado é a de que nada se governa sozinho, sem rumo traçado e sem orientações a seguir. Os ilustres directores do nosso clube foram ingenuamente levados a acreditar (não sei se por força de um qualquer protocolo) que não precisariam de grande esforço ou investimento para gerir os destinos de um clube que diariamente mexe com o coração de 32.000 pessoas que pagam para poder celebrar um golo ou de cerca de 150.000 (dizem eles) que, mesmo não pagando, vã acompanhando semanalmente a prestação da equipa e sofrendo “aos pouquinhos” por esta não lhes dar um título ou uma taça, por pequena que seja, para celebrar. Resta-nos esperar que tenham aprendido algo com a lição e que sejam este ano capazes de traçar um rumo diferente para as coisas. Caso tal não se vislumbre, teremos oportunidade de, quando chamados às urnas, rectificar as escolhas do passado e dar a nota final a este elenco que, em três anos, foi capaz do melhor e do pior. Mas de matérias e polémicas directivas falarei mais adiante…

Além de todas as polémicas e escândalos protagonizados por pseudo-dirigentes que parasitam o futebol de norte a sul, este é um desporto que, visto na sua essência, se resume à disposição técnico-táctica de duas equipas de onze homens orientadas por um técnico, que procuram articular-se no domínio de uma bola de forma mais eficaz que o respectivo adversário, sempre com o objectivo de marcar mais um golo do que este, ou, pelo menos, assim deveria ser. Sem mais rodeios ou “rodriguinhos” à volta desta questão, o futebol vive dos que o praticam, dos jogadores, sendo que estes deveriam ser os seus principais protagonistas.

Com o início de cada temporada, invariavelmente surgem caras novas, mais ou menos conhecidas, com o objectivo de colmatar lacunas e reforçar uma equipa com vista a atingir um certo e determinado objectivo, por norma, superior aos das épocas anteriores. Como não poderia deixar de ser, o Vitória não foi excepção e,  num ano em que a equipa perde o “Timoneiro Cajuda”, são muitas as caras novas que se apresentaram no Complexo Desportivo para integrar a equipa Vitoriana e assim, supostamente, ajudar ao engrandecimento do clube.

Não demorou muito para que o sucessor de Cajuda fosse conhecido. Desde o dia da tal reunião que descambou em despedimento que na imprensa vinha sendo veiculado o nome de Nelo Vingada como a nova escolha para assumir a chefia técnica do plantel profissional do Vitória. Nesta sucessão, há a registar um facto curioso: Nelo Vingada chega a Guimarães proveniente do Irão, via Egipto, local de onde embarcou Cajuda a caminho de Portugal. Ambos têm passagens pelo comando técnico do Zamalek, eterno rival do Al-Ahly, que dias antes do Vitória, tinha também abordado o técnico que hoje comanda os destinos da turma Vimaranense. No entanto, e apesar de terem passado pelo futebol egípcio, os perfis destes dois homens são mais marcados por diferenças do que por quaisquer semelhanças que possam existir. É caso para dizer que, ao existirem coincidências entre ambos, as mesmas ficam por aqui.

Enquanto Manuel Cajuda se perfila como um comunicador nato, capaz de emocionar os seus ouvintes com lampejos de romantismo que parecem retirados do Lirismo Camoniano, Nelo Vingada prima por ser um académico das bola, verbalmente muito prudente e bastante pragmático. Pelo que me é dado a perceber, trata-se de alguém que pensa mais em futebol do que aquilo que fala, procurando ligar o seu nome e imagem mais à gestão técnica da equipa do que a qualquer política ou postura adoptada pelas direcções dos clubes onde trabalha. Embora tenha estado afastado do futebol Luso nos últimos anos, a sua passagem pelo Belenenses, Académica, Marítimo e Benfica enquanto adjunto atestam o seu conhecimento do futebol nacional. O trabalho por si desenvolvido ao Serviço da Selecção Nacional acaba também por ligar este técnico a uma componente formativa, facto que também parece ter pesado na sua escolha para Treinador do Vitória. Tacticamente falando, Vingada parece ser também um pouco mais evoluído do que Cajuda, que parecia “preso” a um modelo táctico que teimava em transpor para o relvado e cujas deficiências e ineficácia estavam já à vista de todos. Neste capítulo, o novo responsável técnico Vitoriano já demonstrou, ao longo destas quatro jornadas iniciais, ser capaz de adaptar o esquema táctico da equipa consoante o adversário que tem pela frente, enquanto Cajuda parecia colocar sempre o mesmo onze em campo, independentemente de jogar contra o Benfica ou o Trofense. Vingada aparenta ser um homem menos agarrado a preconceitos, optando por, para já, adaptar o esquema táctico da equipa consoante o adversário que defronta. É certo que a maioria dos adeptos desconfiará que o treinador ainda não definiu o esquema táctico base da equipa, o que até certo ponto é verdade.

No primeiro encontro, em Setúbal, o enfadonho futebol que se praticou é típico destes confrontos de início de época. Mesmo contra uma equipa manifestamente mais fraca do que a nossa, notou-se que o Vitória acusou a pressão de estar a realizar o primeiro jogo “a doer” contra um adversário tradicionalmente mais difícil e que, nesse jogo, fez questão de jogar com onze jogadores atrás da linha da bola. No final, o empate trouxe um certo travo amargo á boca da generalidade dos Vitorianos não só pelo nulo verificado, mas pela mísera qualidade da exibição protagonizada pelas duas equipas. No entanto, gosto de pensar que, normalmente, uma equipa só joga aquilo que a outra deixa jogar.

No confronto caseiro com o Benfica, as coisas mudaram radicalmente de figura. Contra um adversário mais forte e poderoso, que joga um futebol mais aberto e apoiado, a equipa da casa conseguiu também impôr o seu próprio ritmo, levando por várias vezes o perigo à baliza defendida pelo homem de Delães. Se o resultado final corresponde à primeira derrota desta edição da liga, tal aconteceu não devido à falta de qualidade ou rigor táctico da equipa, mas devido à falta de eficácia demonstrada pelos nossos artilheiros, associada também a uma certa falta de sorte neste capítulo. O “retornado” Targino teve por duas vezes o golo no pé, sendo certo que apenas não atingiu as redes adversárias por falta de sorte e também devido a uma certa falta de maturidade e frieza no momento da verdade. O golo do Benfica surge ao cair do pano, premiando injustamente a equipa que já parecia mais habituada à ideia de que iria sair de casa alheia com um pontinho na mala.

Em Paços de Ferreira, para não fugir à regra, ficou mais uma vez bem demonstrado  que qualquer equipa da Liga se vê “grega” para fazer seja o que for quando defronta os Castores. Já não é de agora que o Paços é uma equipa matreira, que joga num campo pequeno e de terreno bastante irregular. Desde que me lembro de ver futebol, os desafios contra o Paços de Ferreira sempre foram complicados. Pode não ser uma equipa de referência, mas a tenacidade com que defendem e embrulham o jogo, aliadas à capacidade física da equipa, sempre em alta, faz com que qualquer adversário, por mais argumentos que tenha na frente, perca o couro e o cabelo para marcar um mísero golo.

O apronto caseiro contra a Naval, adversário notoriamente mais fraco e debilitado, terá servido para aumentar o nível de confiança de uma equipa que, não sendo má, evidencia ainda alguma falta de articulação e clarividência. Contudo, a equipa mostrou mais alguma maturidade e fluidez, sendo vários os jogadores em bom plano e merecedores de louvor. A equipa terá ganho, com a chegada de Lazaretti, um central forte, voluntarioso e com faro de golo, que faz esquecer as amarguras de um passado recente em que ainda estávamos nitidamente órfãos de Geromel. Targino voltou a estar em bom plano e Jorge Gonçalves terá cimentado definitivamente a sua posição no plantel. Apesar de Douglas teimar em não marcar, deu a marcar e  trabalhou quanto baste no meio dos centrais, obrigando os mesmos a desdobrarem-se em trabalhos para suster as inúmeras tentativas de chegar ao golo por parte da turma da casa. Boa nota também para a exibição de Desmarets, que parece estar de volta à boa forma de outros tempos. Neste jogo, ficou patente que o Vitória tem matéria. Apesar de certos automatismos ainda não estarem convenientemente afinados, ficou á vista de todos que o Vitória tem, pelo menos, uma equipa mais equilibrada e coesa do que o ano passado, o que por si só legitima as nossas ambições a conseguir algo melhor do que o miserável 8º posto da época anterior.

Para que tal seja possível, é necessário que o Vitória encontre o seu “fio-de-jogo”. É preciso encontrar um modelo táctico que consiga encaixar as pedras que temos disponíveis no nosso Xadrez. É absolutamente necessário que os que por cá continuam imprimam ao grupo de trabalho a mentalidade vencedora necessária, pois só assim a integração dos reforços será proveitosa a curto ou médio prazo. Para tal irá contribuir certamente o elevado número de atletas portugueses no plantel. Aliando os mesmos ao número de jogadores da “cantera” de que dispomos, só por si um feito louvável, estou certo que rapidamente os novos reforços ficarão contagiados por este vírus benigno que continua a alastrar por terras de Vimaranes. Esperemos então que tal seja possível, para que em pouco tempo possamos ver o melhor de Lazzaretti (que já vem mostrando o porquê de ser namoro antigo), Tiago Alencar, Kamani, Rui Miguel, Mendieta e aquela que perece já ser a eterna promessa adiada, a vedeta do girabola, Santana Carlos.

Apesar dos aparentes maus resultados de início de época, quer-me parecer que teremos uma época mais regular do que anterior. Para que tal deixe de ser uma suposição e passe a ser uma verdade, é também necessário que a direcção do clube dê também margem de manobra suficiente á equipa, não entrando em veleidades que já cometeu no passado, do género de vender titulares indiscutíveis no mercado de inverno. É também preciso que a equipa técnica e respectivos jogadores tenham tranquilidade suficiente para se concentrarem apenas e só no futebol, sem estarem sujeitos a certos tipos de instabilidade directiva que caracterizaram o último exercício da actual direcção.

Se Emílio Macedo e seus pares tomarem consciência dos erros do passado e do preço que poderão vir a pagar em Março, certamente estarão cientes do caminho simples e discreto que até lá terão que percorrer. Convém também um certo decoro no que diz respeito a certas tomadas de posição, pois o futuro é incerto. Emílio Macedo tem que tomar consciência de que o seu futuro á frente do Vitória se encontra em xeque neste momento. Qualquer medida irreflectida ou inesperada poderá hipotecar completamente o trabalho de quem lhe suceder, dando-lhe também a velha desculpa de que “a culpa é de quem estava cá antes”. Por isso, vá andando com calma, Sr. Emílio. Lá para Março pode ser que já tenha tempo mais do que suficiente para se ocupar dos seus negócios, tão negligenciados (será mesmo assim?) por força das suas obrigações institucionais. Espero é que, ao menos, tenha salvaguardado o clube de continuar obrigado a cumprir com “protocóis” e de pagar salários milionários injustificáveis (e sabe-se lá que mais!)  a funcionários escolhidos ou “encunhados” por si, cujas tarefas são de carácter pouco claro para não dizer duvidoso. Pode ser que assim se consiga poupar ao desgaste que a sua imagem já sofreu na cidade de Guimarães.

Gostaria também de deixar uma pequena consideração acerca da recente actuação de Pedro Xavier no que à tentativa de convocatória da A.G. extraordinária diz respeito. Estou certo que o senhor terá menosprezado a juventude dos associados de quem partiu a iniciativa. Contudo, com certeza tem a sensibilidade suficiente para chegar à conclusão que tal ímpeto nada mais é do que o crescente reflexo daquilo que vai na alma da generalidade do sócio Vitoriano. O facto de ter recusado a convocatória e ter recambiado as 140 assinaturas, mais do que suficientes à luz dos estatutos, constitui um grave atropelo aos valores supostamente democráticos que regem a vida desta grande colectividade. A sua obrigação era aceitar e deferir tal requerimento, mesmo não concordando com ele. Se está assim tão convicto das suas razões, concerteza teria oportunidade de tentar apaziguar os sócios em sede própria, na Assembleia Geral que ficou por marcar. Lá teria com toda a certeza a oportunidade de expôr o seu ponto de vista e apelar à calma dos sócios. O senhor tem todo o direito de aconselhar, mas também tem a obrigação de fazer com que neste clube se cumpram religiosamente os estatutos. Espero que até à próxima A.G. o senhor pense bem no que fez, sob pena de a generalidade dos sócios o condenar ao mesmo descrédito que já demonstraram em relação ao restante elenco directivo.

Em jeito de despedida, saúdo todos os leitores nesta recomeço de época, deixando a promessa de cá voltar todas as semanas para vos dar um “cheirinho” daquilo que, para mim, é sentir o Vitória.

Um abraço para todos e um cumprimento especial para os administradores do vitoria1922.com.

Até à próxima semana!

Guimarães, 17 de Setembro de 2009.

Manuel Aspinall

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Paolo Maldini, eterno capitão!


Costuma dizer-se que na Natureza “nada se perde, tudo se transforma”! Como era bonito que no Futebol também assim fosse… No entanto, o dia 31 de Maio de 2009 vai ficar marcado para sempre na minha vida como aquele em que se perdeu, no futebol, a maior e mais bonita história de amor de um jogador pelo seu clube! Terminou a carreira Paolo Maldini!

Avança o arrepio na espinha, eriça a pele à medida que as palavras surgem para relatar uma carreira de 25 anos de futebol, sempre de camisola rossoneri! Fosse a qualidade das palavras digna da grandeza da carreira deste senhor, pois não há adjectivos que façam justiça a mais de 1000 partidas disputadas, sendo que pelo Milan foram mais de 900! E que dizer de 8 finais da Liga dos Campeões, vencendo 5? Enquanto escrevo nem sei bem se falo de um homem ou de um mito, pois os números são factuais, mas parecem sonhados! Em Itália são 7 Campeonatos, 1 Taça, 5 Supertaças; e ainda 5 Supertaças Europeias, 3 Mundiais de Clubes, entre outros! No total são 27 títulos, absolutamente incrível!

Tudo que se possa dizer das vitórias e prémios deste verdadeiro campeão ficará sempre aquém daquela que, para mim, é a sua grande conquista da carreira… A forma como nos ensinou a todos, não pelas pelas palavras mas pelos actos, a amar verdadeiramente um clube! A dedicar-lhe mais que uma carreira, uma vida!!!

Entrou aos 10 anos, um miúdo, de olhos verdes, tímido, para o clube milanês e sai agora aos 40, um homem, com os mesmos olhos verdes, mas com aura que veste os deuses… E não há timidez no Olimpo!

A vida pinta-se muitas vezes de realidades místicas que nem a ficção mais profunda supera… É o caso da família Maldini! O pai, Cesare, foi jogador (e mesmo campeão europeu pelo Milan), o filho, Paolo, capitão e símbolo maior do clube, e o neto, Christian, já joga nas escolas rossoneri! A mítica camisola 3, entretanto retirada como justa homenagem, voltará ao relvado de S. Siro se o filho se tornar jogador profissional milanês… E assim, nas bancadas como no Olimpo do Futebol, nunca o nome Maldini será esquecido, porque está gravado a letras de ouro de todos aqueles que amam o Futebol!

Os jovens futebolistas de hoje em dia, alguns até sem qualidade nenhuma, só pensam em transferências e contratos milionários, atentem bem na carreira deste senhor, e saibam ver o exemplo… Tenham a humildade de aprender!

Aqueles que não conseguirem ver a beleza neste exemplo de amor e dedicação a um clube, façam um favor ao futebol e arrumem as chuteiras…

Termino com as palavras do próprio Paolo Maldini, comentando a sua carreira: “Se, quando era miúdo, me pedissem para escrever a história mais bela do mundo para mim, escrevia-a tal e qual me aconteceu”!

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Contas Finais


Caros amigos vitorianos acabou, agora de uma forma efectiva, um campeonato que para nós, e tal como já aqui o tinha referido, já havia terminado há umas semanas atrás! Segurámos um pouco digno oitavo lugar, portanto a meio de uma tabela classificativa de uma Liga Portuguesa de Futebol que como sabemos tem a sua qualidade nivelada por baixo. Ou seja, para o Vitória Sport Clube terminar a meio da tabela, na minha opinião, é o equivalente a dizer que fizemos um campeonato fraco e desinteressante! Até porque, desde que temos dezasseis equipas na Primeira Liga, a competitividade tem vindo a decair, uma vez que só descem duas equipas, e com um plantel apenas razoável se consegue fazer um campeonato para não descer!

A nível global esta época a Liga Portuguesa foi melhor do que a época transacta, mais competitiva, com mais luta até final nos respectivos focos de interesse (competições europeias, luta para não descer e até mesmo para ver quem seria campeão)! No entanto, os números oficiais vão assustando, com destaque para cada vez menos espectadores nos estádios, para o acentuar da tendência de se marcarem menos golos, e, claro, os já tão badalados salários em atraso!

No que respeita ao nosso Vitorinha, como é fácil de perceber, esta época foi um logro, uma vez que se “tentou vender” a ideia de que teríamos uma equipa mais forte do que o ano passado, o que nós aqui desde o inicio soubemos desde logo desmentir, pois parecia-nos claro que este plantel vimaranense estava uns “furos abaixo” do que havia ficado no terceiro lugar! Semanalmente fomos confirmando as suspeitas, e terminamos num oitavo lugar, atrás, por exemplo, de uma Académica, que é uma equipa relativamente fraca!

É para mim muito claro que duas situações têm de mudar no nosso clube, se efectivamente queremos lançar-nos num rumo de sucesso contínuo, e não intermitente, como tem sido! Primeiro, a política de aquisição de jogadores tem de ser francamente alterada, no sentido de ser mais criteriosa, mais direccionada para o mercado nacional e, vou continuar a bater-me por isto, apostando na “prata da casa”, nos jovens que por nós são formados! Segundo, tem de haver em Guimarães uma sensibilidade especial nesta altura de crise, que como sabemos nos tem afectado bastante, e de uma forma séria e responsável, a Direcção do Clube tem de desenvolver incentivos para que os adeptos possam continuar a ir ao estádio! Bilhetes de família, redução de preços, descontos para quem vai mais vezes, o que bem entenderem! Agora façam é alguma coisa em relação a esta temática, porque de outra forma vão começara ver o estádio menos composto!

De uma vez por todas, caros vitorianos, tenhamos o bom senso de fazer atempadamente estas mudanças, para que no próximo balanço, em 2010, não tenhamos de sublinhar novamente estas situações, e possamos estar mais “concentrados” em festejar uma época de sucessos… Façamos por isso!

PS: Barcelona campeão europeu à custa de de um dos principios mais básicos do futebol, e tantas vezes esquecido pelos treinadores, a “posse de bola”… Só quem tem a bola pode jogar! E como eles sabem…

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Um Filme Classe B…


jogo falado

Ano de desilusão em Guimarães…

O ano que era o tudo para as gentes do Vitória, transformou-se num absoluto nada… um ano em que se previa poder-se tocar com os dedos em ouro, tornou-se num absoluto zero, em que a incúria e os erros de casting tornaram o filme da época vimaranense numa película digna dos piores filmes escalão B!

O produtor do péssimo enredo que assistimos este ano, foi Emílio Macedo da Silva… o verdadeiro responsável por uma época de pesadelo, em que nada saiu bem… mas que, valha a verdade, nada foi planeado para resultar…poderíamos dizer que EMS a partir de Julho resolveu brincar ao futebol, prejudicando os milhares de crentes que seguem o Vitória para todo o lado.

Assinou um protocolo misterioso com o Benfica, recebendo, para além de um Nuno Assis, lesionado, um ridículo Luís Filipe que nunca se percebeu ao que veio, e que nunca foi actor para este filme que se pretendia um épico grandioso e tornou-se em terror da pior espécie.

Negligenciou, completamente, as saídas de Geromel, Alan e Ghilas…ridículo, o facto de este não ter renovado por meia dúzia de tostões… e pensou que os milagres aconteciam…decrescendo a qualidade, conseguiria ter êxito! Enganou-se, redondamente… e provou-se que para se ter sucesso há que contar com todos os pormenores…

A adjuvá-lo, contou com um realizador que desde o início de Julho prometia actores de melhor qualidade que os do ano anterior e comprovou-se uma de duas coisas: ou de futebol, na verdade, percebe muito pouco ou estava  a tentar areia para os olhos dos sócios, omitindo o que já se sabia…

E a pré-época vitoriana em vez de se basear em atletas capazes de honrar o símbolo do Rei, circunscreveu-se à contratação de um director de comunicação…no mínimo surreal, para quem almeja crescer…

Quanto á época, importará referir que não obstante estes erros todos, as lesões deram um contributo relevante para os inêxitos… efectivamente se Nuno Assis, Sereno, Douglas e outros não sucumbissem em combate de um momento para o outro, talvez a história fosse ligeiramente diferente…mas de “ses” está o cemitério cheio, e queum em obrigações tem de prever todas as possibilidades.

Ademais, este filme, apesar de mau, contou com uma ou outra tirada cómica, tal como o mercado de Janeiro…inacreditável como se investe a maior fortuna da história num jogador sem ritmo e sem adaptação ao futebol europeu… o maior investimento de capital num homem que, supostamente, seria para pegar de estaca e nada, mas nada, mostrou… verdadeiramente ridículo!

Além deste, e já que o Vitória apenas possuía três trincos no plantel – dando de barato que Wênio entrava nessas contas, apesar de ter sido, certamente, uma das piores contratações dos últimos cinquenta anos da história do Vitória – nada melhor que contratar Custódio… mais um jogador sem ritmo e só prontoa  jogar em Março… um investimento para a época 2009/2010, quando se vislumbrava, já, o tremendo flop da época actual…

Mas não era tudo…havia que complementar com um peso pesado…sem dúvida, o jogador, actualmente, com maior peso dentro do plantel… não…não é influência…são quilos e quilos de fortaleza… certamente, foi a medida humaitária deste filme, apoiar Cícero, que não jogava há um ano, a fazer uma cura de emagrecimento…a expensas do Vitória…

Pelo meio deste louco Janeiro vendeu-se o lateral esquerdo titular, Momha, que, ainda, fazia, se fosse necessário, uma perninha a central…indo-se buscar o que havia no mercado, que era Milhazes… que sendo a contratação mais credível destas mencionadas. só chegou a Guimarães, pela saída de um  titular… Quem vende em Janeiro, um titular? Só as equipas sem objectivos! O Vitória tinha objectivos? Parece que sim…

Hora, agora, para mencionar o maior blooper deste filme… a guerra, inicialmente surda, e depois estridente, entre EMS e Manuel Almeida… o velho ditado “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades”aplicou-se bem ao produtor e ao seu adjuvante… tristes as acusações… lamentáveis… promessas de esclarecimento, que não passam disso…e, até hoje, ninguem soube o que, realmente, se passou…e a democracia vimaranense e vitoriana vai cantando e  rindo…

Entre estas trocas e baldrocas, reparamos que o realizador desta epopeia andava estranho…andava incompreensível…realmente, Cajuda, este ano não merece Oscar… imperícia a gerir a equipa- aquele jogo com o Sporting que o perde sozinho, há-de ficar atravessado – desconhecimento total e  absoluto da história do Vitória, – o Vitória há três anos foi ás meias finais da Taça, sr. Cajuda – afrontas constantes aos sócios e jogadores – em certas afirmações parecia ser o supra sumo deste Universo – e teimosia, muita teimosia – os casos de Gregory e Luís Filipe são os melhores exemplos. -

Nesta longa metragem de qualidade sofrível, também os actores se ressentiram… Onde estava o Desmarets do ano passado? Uma verdadeira sombra…um jogador com corpo em Guimarães e cabeça em qualquer outro lado? Onde se meteu o João Alves box-to-box?Este ano aos quinze minutos já lhe tinha dado a bafa! E, por exemplo, onde estava o Andrezinho do ano anterior?? Os treinos este ano foram diferentes??? Mas pioraram em quantidade, ou será, que também em qualidade??

E nestes caminhos negros fomos caminhando até ao fim da época, de frustração em frustração – primeiro foi a Taça da Liga, depois a de Portugal e por fim o malogro do acesso ás  competições europeias – sem que nada mudasse… os mesmos vícios, as mesmas suspeitas, os mesmos erros na equipa de futebol e ninguém a dar o murro na mesa…

Esperemos que o filme do próximo ano seja de qualidade superior e mereça o Oscar…este merece um Razzie – prémio de pior filme – tal o enredo confrangedor aqui relatado…

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O Jogo do Ano!


Esta semana, caros amigos vitorianos, este espaço que me é dedicado não vai ser preenchido com uma habitual crónica, mas antes com a antevisão do Jogo do Ano! As maiúsculas cumprem bem aqui a sua função, pois efectivamente trata-se de um daqueles jogos do qual se espera um espectáculo maior! Futebol com “F” grande!!!

É bem conhecida a forma como o Barcelona chegou a este jogo derradeiro, o que de certa maneira ainda ensombra um pouco a Final de Sonho! Aquela meia-final, com o Chelsea, vai por certo ficar na História do Futebol como uma das arbitragens mais vergonhosas de que há memória, com uma influência tremenda no resultado da partida, e consequentemente a presença na final! Por seu turno o Manchester United, tranquilamente levou de vencida a equipa do Arsenal, e chega, pelo segundo ano consecutivo, à final da competição!

Por certo já adivinharam, pois então, de que vos falo da Final da Liga dos Campeões, que tem como cartaz esta temporada um fabuloso Barcelona – Manchester United! Estarão os responsáveis da UEFA num frenesim incontido, pois certamente que a magnificência deste jogo lhes garantirá o recorde absoluto de assistência televisiva, e bem mais importante, receitas para lá de todas as expectativas!!!

Em relação ao jogo propriamente dito, será sempre um grande espectáculo! Roma “vai arder” sob os pés dos melhores jogadores do Mundo, desde logo com esse duelo quase de “capa e espada”, entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, mas acima de tudo porque se vão encontrar aquelas que são, de momento, as duas melhores equipas do planeta!

O que esperar? Eu espero Futebol… Espero a vitória do “jogo jogado”, a vitória dos adeptos, a vitória dos jogadores, a vitória de quem gosta do jogo… E como o futebol anda a precisar de vitórias!!!

Romantismo à parte, o meu prognóstico vai para a vitória do Barcelona, equipa que tem do meio-campo para a frente cinco violinos! Xavi, Iniesta, Henry, Etoo, Messi! Que lugar mais místico para juntar cinco violinos do que um Coliseu em Roma? A minha previsão, caros amigos, é de que vamos ter uma “sinfonia blaugrana” dia 27. Até lá, afinem-se os instrumentos…

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